"Nunca será o fim do preto e branco para a Chanel", diz Lagerfeld, em coleção colorida

CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris

  • AFP

    Cores marcam o Inverno 2007/08 da Chanel

    Cores marcam o Inverno 2007/08 da Chanel

Nevou na passarela. É inverno, o país não é tropical, portanto, cai bem. Mais ainda, se sobre a passarela branquinha, com espécies de nuvens peduradas no teto (de onde saía uma fumaça também branca) desfilarem roupas coloridíssimas. O contraste é grande. Quase um choque, pensando na marca em questão: a maison Chanel, famosa por suas peças em clássicas (nem tão clássicas assim, desde que Karl Lagerfeld assumiu a direção criativa) combinações de preto e branco.

"É o fim do preto e branco?", pergunta, quase em tom de desespero um repórter de uma emissora de televisão americana para o "kaiser" da moda, depois do desfile, que aconteceu em duas sessões (uma para a imprensa, outra para compradores) na manhã desta sexta (2). "Nunca será o fim do preto e branco para a Chanel", tranqüiliza, quase impaciente mas sempre simpático Lagerfeld, antes que "mademoiselle" Coco Chanel começasse a se revirar no túmulo.

É verdade que, no final do desfile, eles (o preto e o branco) até fizeram uma certa aparição. Mais o preto com uns respingos de branco. O que marcou o Inverno 2007/8 da marca, porém, foram as cores. E os comprimentos mais longos das saias afuniladas, em contraposição quase radical aos microvestidos e shorts criados por Lagerfeld para o verão que ainda será usado na Europa em meados de julho, quando o calor chegar. "Há duas principais idéias na coleção: o 'alongamento' e a 'coloração'", resumiu o estilista alemão.

Nas cores, o vermelho e o azul aparecem em tons fortes, tanto combinados como no primeiro look xadrez quanto sozinhos, e mudam de tom, indo do turqueza ao marinho (azul), do quase fluorescente ao tomate (vermelho). Além do xadrez, os quadrados, em estampas quase ópticas, estamparam várias peças, com destaque para o casaco curto e fofo, com volumes que formavam camadas com desenhos geométricos em preto e branco.

O 'alongamento' definido por Lagerfeld na verdade pode ser tomado como o efeito longilíneo que as roupas ganham graças não só às saias na altura ou levemente abaixo do joelho, mas também às calças justas e pretas e aos casacos e blusas, tudo mais comprido. No vestido longo que fechou o desfile, a imagem máxima desta sensação alongada e extremamente sensual desenhada para vestir mulheres "reais" mas muito especiais: o modelo em malha de lã preta desce justo e abre num ensaio de cauda no final. Na frente a parte de cima faz um efeito blusê (porque fica parecendo uma blusa presa dentre de uma saia), com uma gola canelada grande e dobrada para fora. Atrás, as costas são descaradamente nuas, com uma provocativa faixa do mesmo material amarrando e marcando a cintura.

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