Louis Vuitton traz bolsas, Vermeer e "luxo desencanado" ao último dia de Paris

CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris

  • AFP

    As bolsas aparecem com alças mais curtas nesta coleção

    As bolsas aparecem com alças mais curtas nesta coleção

A própria "moça com o brinco de pérola" estava sentada na primeira fila. Na verdade, era a atriz Scarlett Johansson, protagonista do filme sobre Vermeer chamado "Moça com o brinco de pérola", título de um quadro famoso do grande pintor holandês do século 17.

E foram os poucos e emocionantes quadros de Vermeer a inspiração para a coleção de inverno da luxuosa e gigantesca Louis Vuitton. Numa tenda branca e translúcida, montada no meio de um dos vãos do também enorme Louvre, a marca francesa com as bolsas mais famosas do mundo desfilou sua tradição de moda francesa sob a batuta irreverente do talentoso estilista americano Marc Jacobs.

Ironicamente, num mundo de tradições de malas de viagem que podem custar o equivalente a um apartamento de dois quartos num bom bairro de São Paulo, é a irreverência de Jacobs que prevalece. Assim, a cândida musa de Vermeer preserva a alvíssima pele branca, o rosto inocente quase infantil, mas se veste como uma pin-up coquete, com decote farto e saia curtinha em rosa bebê. Mas isso é Scarlett Johansson, também protagonista da última campanha de verão da marca.

Na passarela, ainda, essa brincadeira entre o que é uma coisa e o que pode ser outra, ou o que é outra sendo a primeira, continua. O jogo não fica exatamente entre inocência e perversão, mas entre o que pode ser extremamente luxuoso quebrando os códigos do que é considerado clássico, num novo luxo, ou o luxo "desencanado".

Roupas

As camisolas longas e brancas, cujas mangas e golas apareciam sob as roupas da criadagem européia na época em que Vermeer pintou suas mulheres iluminadas por feixes de luz, que atravessavam a janela de cozinhas rústicas foram reinterpretadas e se transformaram em batas que abriam em pregas com a parte de trás mais longa, formando uma pequena cauda. O mesmo recurso de repetiu num gracioso casaco de couro preto com punho de elástico.

O couro apareceu não só nas jaquetas como também nas saias. As peças em angorá - blusas e saias - também marcaram a coleção, que não teve um comprimento definido, com saias curtas, médias e um pouco mais longas, com predominância das levemente abaixo ou acima do joelho.

A referência às musas de Vermeer é bem-humorada e inclui versões maximizadas de toucas usadas pelas modelos quase como boinas, além das tranças de lã enroladas presas na lateral da saia ajustada preta, também, em lã, em alusão aos cabelos presos das criadas loiras e brancas da Holanda de antigamente.

A assimetria da modelagem tanto nas partes de baixo quanto nas partes de cima quebrava a imagem de elegância estudada das grandes maisons de moda, assim como os franzidos que formavam volumes em saias e blusas. Para não deixar dúvidas de que se trata de uma roupa de luxo, o acabamento perfeito, os tecidos e materiais impecáveis, e claro, as famosas bolsas Louis Vuitton para acompanhar.

Bolsas

Ah, as bolsas Louis Vuitton. Estes fetiches femininos, símbolos evidentes e máximos do status por meio do vestir, desejadas e copiadas por mulheres no mundo inteiro. A Louis Vuitton sabe que o seu negócio são elas e não há como não reparar nos modelos que saltam aos olhos a cada look que entra acompanhado do monograma mais conhecido do planeta fashion.

Nesta coleção, as cobiçadas LV aparecem envernizadas e com detalhes em pêlos. O efeito matelassê continua em algumas peças, também com o brilho do verniz. Geralmente as bolsas, a exemplo do verão, são grandes, mas não gigantescas. Há também modelos estilo carteira, metalizados, brilhantes. As alças são curtas, para serem levadas na mão (ou no braço, nunca no ombro).

No quesito acessórios, destaque ainda para as ótimas "ankle boots" (botas na altura do tornozelo) em verniz, os sapatos de salto alto e pequena plataforma na frente e as botas pretas de cano alto em couro fosco.

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