Gilberto Gil promove, oficialmente, a moda ao status de cultura para o governo brasileiro

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

  • Flavia Vitório/Divulgação

    Gilberto Gil e a consultora de moda Gloria Kalil, organizadora do Fashion Marketing

    Gilberto Gil e a consultora de moda Gloria Kalil, organizadora do Fashion Marketing

A moda acaba de ter seu status promovido, aos olhos oficiais do governo brasileiro, de frivolidade para fenômeno cultural. O anúncio foi feito pelo Ministro da Cultura, Gilberto Gil, na última terça (17), durante participação no Fashion Marketing 2007, evento organizado por Gloria Kalil, para o qual Gil foi convidado a discutir a identidade brasileira. "A moda está convocada para um novo ciclo de integração cultural", afirmou, durante o seminário que também contou com as presenças de Paulo Borges, criador do São Paulo Fashion Week, e de José Miguel Wisnik, o músico e professor da USP. Mais adiante, completou: "Quero propor um rearranjo da relação do Estado com a moda. Quero reverter o equívoco ou omissão do passado, e dizer a vocês (...) que a moda é hoje reconhecida pelo Ministério da Cultura como parte vital da cultura brasileira".

Convidado como músico e artista, segundo introdução da consultora de moda Gloria Kalil, Gilberto Gil adotou postura de ministro e leu um discurso preparado, durante os cerca de vinte minutos de palestra. Para alguns, o tom foi muito político. Para outros, no entanto, o texto de Gil, exprimiu o contrário. "Foi um discurso extremamente intelectualizado que, na minha opinião, revelou a visão dele sobre a cultura brasileira", acredita Emília Duncan, figurinista da TV Globo (responsável, entre muitos trabalhos, pelo figurino da minissérie "Amazônia").

Para Paulo Borges, a presença de um Ministro da Cultura num evento de moda já merece aplausos. "Estou otimista. É algo inédito no Brasil", comentou, depois do seminário.

Em entrevista após o evento, Gilberto Gil afirmou que, por enquanto, a aproximação com a moda tem que ser "conceitual". "O que é a moda no Brasil, quem pensa, quem faz, quem critica? É preciso criar este repertório. Depois, o Ministério pode contribuir, por exemplo, na análise da cadeia produtiva da moda no Brasil, os elos desta cadeia, os elos fracos, os elos fortes, os mais associados ao artesanato, os mais próximos à ponta industrial, para se ter um diagnóstico do fenômeno moda no Brasil. Outra questão é articular as outras áreas", disse, referindo-se às articulações com outros ministérios, como o da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que pudessem contribuir com o setor.

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