Cooperativa brasileira produz algodão orgânico colorido

Da Ansa, em São Paulo

O algodão colorido orgânico, que promete aquecer o setor têxtil brasileiro, é transformado em roupas, acessórios e artigos de decoração pela Cooperativa de Produção Têxtil e Afins do Algodão do Estado da Paraíba (CoopNatural). O fato de o algodão já nascer colorido garante que ele não leve aditivos químicos na lavoura, nem no processo de industrialização, já que não necessita de tingimento. As primeiras peças já foram exportadas para Itália, Portugal, Estados Unidos e Japão.

O algodão com cores verde e marrom avermelhado, é resultado de um melhoramento genético iniciado em 1995 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para obtenção de novas lavouras com novas cores da fibra, além da de cor marrom claro já existente. O plantio comercial do algodão colorido no Brasil foi iniciado em 2000 com o cultivo de 10 hectares no estado da Paraíba. Porém, a primeira lavoura plantada para atender um pedido da CoopNatural foi numa área de 20 hectares, no município de Bom Sucesso, colhida entre maio e junho de 2007.

A CoopNatural reúne 31 cooperados entre empresas e grupos de artesãos que fabricam roupas sob a marca Natural Fashion, cuja produção leva em conta a preservação do meio ambiente. "A cooperativa articula desde o plantio, fiação, tecelagem e modelagem das peças", conta a diretora presidente da cooperativa, Maysa Motta Gadelha.

O apoio aos cooperados inclui ainda financiamento e assistência técnica. A cooperativa mantém uma fazenda comercial com empregados e agricultura agroecológica que trabalha com um assentamento onde vivem 150 famílias. A orientação aos produtores, quanto ao sistema orgânico, é feita por técnicos da Embrapa. Para combater as duas pragas que costumam atacar o algodão na região, o bicudo e o curuquerê, foram usados inseticidas naturais e feito combate biológico.

De acordo com Maysa, dezenas de produtores da região tiveram a oportunidade de conhecer a lavoura com algodão colorido orgânico e devem começar a plantar também nas próximas safras. O algodão será novamente destinado para a fabricação das roupas Natural Fashion. "A nossa meta é expandir a nova safra", garante.

O preço pago pelo produto orgânico é cerca de 30% superior ao do algodão comum. O rendimento, segundo ela, é de 1.300 quilos por hectare. O orgânico branco rende 2.000 quilos por hectare. Maysa afirma que existe mercado para este tipo de produto, formado principalmente por pessoas que se preocupam com a questão ambiental.

O foco da CoopNatural é oferecer produtos o mais puros e naturais possível. A cooperativa fabrica tanto peças com a sua própria marca como para terceiros. Ela vai produzir neste ano, por exemplo, cuecas Zorba com algodão orgânico. Hoje a cooperativa produz cerca de 10 mil peças ao mês. São cerca de 400 itens entre roupas femininas, masculinas e infantis, mais os acessórios como bolsas, chapéus e brinquedos de pano, e artigos de decoração como toalhas de mesa e colchas. No mercado interno, os produtos são vendidos em mais de 250 pontos de venda pelo Brasil afora. (ANSA)

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