Paulo Borges e estilistas brasileiros discutem as dificuldades e o futuro da moda no país

Da Redação

O futuro da moda no Brasil e sua relação com a imprensa foi o foco de debate com Paulo Borges e mesa redonda com os estilistas Tufi Duek, Reinaldo Lourenço, Jum Nakao, Lorenzo Merlino e Marcelo Sommer no quarto dia do Pense Moda, evento realizado no Shopping Iguatemi, em São Paulo.

Durante a manhã desta quarta-feira (8), os debatedores levantaram os problemas enfrentados pela moda no Brasil, as dificuldades das novas marcas e das grifes já estabelecidas, e algumas ações para um futuro promissor da área.

"Vejo uma luz no fim do túnel [para o crescimento da moda no país]. A gente tem que parar de achar que para desenvolver o mercado nós temos uma ação apenas, é um processo sistêmico", disse o diretor da São Paulo Fashion Week, Paulo Borges. "Não existe tábua de salvação. Tem que ser um desejo coletivo", completou.

Entre as dificuldades apontadas estão o escasso circuito de distribuição de peças, a falta de matéria-prima e indústrias aptas a alimentar as demandas do setor. Outra questão apontada, menos objetiva, é a predileção por produtos estrangeiros - algo não tão forte quanto a alguns anos, mas ainda presente entre os consumidores brasileiros.

Para o estilista da Forum, Tufi Duek, falta à moda brasileira enfrentar o mundo e a concorrência de outros países em que a mão-de-obra e o valor final dos produtos são mais baratos. "A China e a Índia são iguais para o mundo inteiro. As pessoas têm que se preocupar com um Brasil de qualidade, encontrar uma saída criativa para o país. As grandes marcas internacionais não discutem preço com a China", afirmou.

Após a palestra de Paulo Borges, a mesa redonda com os estilistas, mediada pelo coordenador do curso de Moda do Senac, José Gayegos, levantou os ânimos dos presentes. Um dos temas recorrentes foi o trabalho da imprensa na área. Tufi diz sentir falta de uma imprensa mais questionadora e interessada, que pergunte sobre do que são feitas as peças, por exemplo. Já Sommer apontou que ainda existe a presença da imprensa "corrompida", que trabalha com jabás.

Reinaldo Lourenço e Lorenzo Merlino aproveitaram o debate para criticar a falta de preparo dos alunos de cursos universitários de moda no país -segundo eles, despreparados nos âmbitos teórico e prático.

Todos os estilistas defenderam o empreendedorismo e incentivaram os profissionais - novos ou não - a planejar seus negócios e buscar por uma identidade brasileira, mas não uma moda regionalista.

Para os que estão ingressando agora no mercado, a dica ao final do evento é de que os jovens deveriam evitar abrir marcas próprias logo ao fim da faculdade e aproveitar este início para ganhar experiência e vivência ao lado de grandes grifes.

O Pensa Moda acaba amanhã, com palestra de Judy Blame e mesa redonda sobre o trabalho do stylist.

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