Desconstrução, homens "montados" e vestidos de noite marcaram dia 2 da Casa de Criadores

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

  • Alexandre Schneider/UOL

    Coleção de João Pimenta trouxe homens viris e 'montados', com inspiração em índios da Nova Zelândia

    Coleção de João Pimenta trouxe homens viris e 'montados', com inspiração em índios da Nova Zelândia

A segunda noite da Casa de Criadores, nesta quarta (28), contou com participação dos novos entre os já jovens criadores, os estilistas integrantes do chamado Projeto Lab. Apresentado no formato de desfiles curtos (em edições passadas os mais novatos realizavam performances), o projeto revelou algumas interessantes coleções, com destaque para a alfaiataria desconstruída de Valencio Lemes, seguidas das apresentações de dois veteranos afeitos por chamar a atenção na passarela pelo exagero: Rober Dognani, na linha "glamour noite" feminino, e João Pimenta, com seus homens "montados" e ainda sim sempre viris, com grandes histórias por trás de seus looks.

Especialista em vestidos de noite que fazem sucesso entre a clientela pelo bom caimento, em modelos feitos sob medida, Rober Dognani afirma ter se inspirado nas técnicas de moulage (quando a roupa é feita direto no corpo do manequim) e nos ilustradores de moda dos anos 20 Ertè, Anon e Casa Balchivitz para criar seus modelos, que provocam bons efeitos com os franzidos que dão um curioso e bonito aspecto de repuxado em pedaços de caudas longas em tecidos brilhantes como o cetim de seda. Na modelagem, o estilista se destaca quando acompanha a silhueta do corpo, ficando na metade do caminho entre o muito solto (que acaba perdendo um pouco a forma) e o muito justo (os curtos justíssimos davam a impressão de estarem um pouco pequenos demais). Um perfume Dior (da coleção desfilada em março e nas lojas agora, para o inverno europeu) aparece principalmente na maquiagem e cabelo das modelos e levemente em algumas referências como os grandes laços, os vestidos de um ombro só e o bufante em cima com a saia ajustada embaixo.

João Pimenta, que encerrou o segundo e penúltimo dia do evento, foi buscar nas civilizações antigas dos EUA e nos índios Navarro e Maori, da Nova Zelândia, elementos para a sua coleção, que ainda contou com teares e bordados africanos, trazidos pelo próprio estilista de uma viagem que fez recentemente. Sempre cheios de produção, "montados", misturando alguns elementos femininos (um dos últimos looks, era, literalmente, um vestido marinho com flores pretas em veludo), os homens de Pimenta ainda assim são extremamente viris. Desta vez houve uma mistura maior de referências, nos looks, que começaram com mais volume, na base marrom com detalhes pretos, com mais menções à pesquisa de Pimenta, e foram "secando" até os conjuntos justos em jeans bem escuro. O estilista fez ainda referências roqueiras em rosas de espinho, jaquetas ajustadas, passando pela alfaiataria em jaquetas que lembravam fraques, além da menção à risca de giz. O toque utilitário apareceu nos vários bolsos das calças de cavalo baixo e nas partes de cima em malha mole. O clima mais informal foi dado com o uso de materiais como o moletom, em peças bem usáveis separadamente, embora o estilista tenha optado por uma mistura de muitas referências, em séries de looks com imagens diferentes.

Entre os novíssimos criadores, o destaque da noite ficou por conta da inventividade da estilista Karen Valencio Lemes, da marca Valencio Lemes. Em coleção masculina, Karen brincou de desconstruir a alfaiataria masculina de maneira engenhosa e bem feita, trocando de lugar pedaços de camisa, transpassando paletós, colocando zíperes no meio das mangas compridas. Em alguns momentos bem possível de serem usados, em outros mais conceituais, os paletós e jaquetas da estilista provocavam curiosidade de como ela chegou até aquela construção. Os tons amarronzados, as formas mais duras, geométricas, remetem também à vestimenta militar.

Nesta quarta, desfilaram ainda André Phergon (brincadeiras com alfaiataria, imagem um pouco soturna, calças de cavalo baixo), Raquel Gaeta (cinturas altas, looks monocromáticos, imagem de mulher adulta, não menininha), a grife Prints I Like (simpáticas as franjas, embora o matelassê da legging não tenha funcionado) e Weider Silveiro, que mesclou a alfaiataria com o toque étnico em blusas e vestidos em malha molenga, que ganhavam estrutura a partir de golas duras, de tecido que parecia torcido, como os colares de tecido africanos, aliados a bons drapeados.

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