"Brasileiros devem abraçar liberdade e sensualidade inatas por meio das roupas", diz Vivienne Westwood

Da Redação

  • Rolling Stone/Ian Rankin

    A estilista Vivienne Westwood, que virá ao Brasil para a SPFW

    A estilista Vivienne Westwood, que virá ao Brasil para a SPFW

A estilista inglesa Vivienne Westwood, que virá ao Brasil para a 24ª edição da São Paulo Fashion Week (inverno 2008), comentou a moda do país em entrevista à revista Rolling Stone Brasil deste mês.

Sobre o mercado brasileiro, Vivienne disse que "o Brasil tem sorte no sentido de não possuir grandes conglomerados de moda que, em última instância, influenciam a opinião dos críticos". O ícone da moda prosseguiu: "É um país de múltiplas oportunidades devido a sua grande extensão e sua juventude. Mas acho que vocês deviam adotar os valores europeus - e não os norte-americanos - e abraçar de vez sua liberdade e sensualidade inatas por meio das roupas".

A estilista foi responsável pela transformação do punk em um manifesto da contracultura nos anos 70. "Eu era muito política naquela época, mas ainda continuo fiel às minhas motivações. Agora minhas roupas são mais anti-sistema do que antes", disse.

A estilista ganhou recentemente do governo inglês o título de Dama, mas em nada lembra o estereótipo antigo. Aos 66 anos, mostra que sua mente continua inquieta, e que ainda defende a ideologia que ajudou a criar. "Fazendo moda, dou uma chance às pessoas. Não existe nenhuma atitude mais explosiva do que oferecer uma escolha aos outros".

Ela critica a falsa rebeldia e o hype: "As pessoas ainda querem ser rebeldes, mas não há muito espaço para isso porque uma rebelião verdadeira tem a ver com idéias, e não existiu nenhuma idéia no século 20. Hoje tudo é ditado pela manufatura de massa e pela publicidade", alfineta, reafirmando que é somente por meio da cultura que se pode mudar o mundo.

Vivienne diz que teme pela consagração da chamada "pseudocultura", que se fundamenta no superficial e no não-controverso. Para isso, lançou "AR" (Active Resistance to Propaganda), um manifesto em favor da cultura para desafiar o conceito de tendências. Ao mesmo tempo, diz que escolheu o grupo brasileiro Cansei de Ser Sexy para tocar no lançamento de seu último perfume Let It Rock "porque a garotada aqui disse que eles eram legais".

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