Nos desfiles, cabelo e maquiagem ajudam a construir personagem

Daniela Salú
Do prédio da Bienal

  • Ana Ottoni/UOL

    A maquiadora Tiffany Johnston em ação no SPFW

    A maquiadora Tiffany Johnston em ação no SPFW

Quem anda pelos corredores da Bienal durante o São Paulo Fashion Week pode ficar intrigado com a quantidade de mulheres altas e magras que, vez por outra, passam correndo para os banheiros com óculos imensos e cabeças cobertas por blusas. O "look burca" improvisado pelas modelos é necessário para manter em segredo os penteados e maquiagens criadas para os desfiles até a hora de entrar na passarela.

Para o maquiador Saulo Fonseca, que comandou a beleza em dois desfiles no SPFW, o cabelo e a maquiagem ajudam a contar a história que o estilista quer passar. "Tanto que no desfile tudo tem que ser mais intenso do que na campanha", explica. A maquiadora Tiffany Johnston, que veio de Los Angeles para fazer seis desfiles na semana de moda paulistana, diz que o trabalho dela neste sentido é ajudar a construir um personagem. "A maquiagem não precisa ser uma super tendência, ela tem que combinar com a roupa apresentada", explica.

"Cabelo e maquiagem são os principais complementos da moda, mesmo que tenham um estilo simples", afirma o maquiador Marcos Costa, responsável pela beleza de quatro desfiles desta temporada.

Os profissionais da beleza dizem que seu espaço de criação dentro deste cenário varia conforme a liberdade dada pelo estilista. Alguns já determinam em detalhes o que esperam do look das modelos, enquanto outros expõem idéias para discussão. Segundo Costa, o estilista Lino Villaventura, com quem trabalhou nesta edição do SPFW, é um exemplo de designer que já tem em mente muito claro o que quer para seus modelos. Ainda assim, isso não impediu o maquiador de fazer pesquisas sobre o tema da coleção e discutir com o criador as suas propostas para a beleza.

"É um processo criativo coletivo entre maquiador, cabeleireiro e o estilista", explica a maquiadora Vanessa Rozan, criadora de looks para quatro desfiles deste SPFW. Andrea Costa, que assinou a produção das modelos no desfile de Erika Ikezili, acha que o papel do profissional da beleza é valorizar a criação do estilista. "Normalmente eles já têm uma idéia do que querem, e eu não tenho um ego inflado. Acho que a criação é realmente do estilista, mas gosto de pensar junto", diz.

O cabeleireiro e maquiador Max Weber, responsável pelos looks de três grifes neste SPFW, depois de saber o tema do desfile, costuma pesquisar produtos top de linha que serão usados na construção do visual e referências sobre o assunto em revistas, filmes e até entre seus vizinhos. "Gosto de fazer coisas que as pessoas podem adaptar para o seu dia-a-dia", conta.

Paulo Cesar Schettini, que criou os cabelos para Cori e Neon, conta que após uma primeira conversa com o estilista, costuma criar duas ou três propostas de look para saber se elas se encaixam na idéia inicial. "Eu procuro acessar livros, revistas e filmes sobre o tema. Se o estilista me pedir para fazer algo que não tenha a ver, eu vou brigar!", conta rindo. Para ele, cabelo, maquiagem e roupa são três elementos que devem conversar entre si sempre, dentro ou fora da passarela.

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