Ellus desfila punks de butique em "hora do rush" na Júlio Prestes

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

  • Alexandre Schneider/UOL

    Bárbara Berger desfila na estação Júlio Prestes; modelos saíam do trem para desfilar

    Bárbara Berger desfila na estação Júlio Prestes; modelos saíam do trem para desfilar

Penúltimo dia de São Paulo Fashion Week, e a Ellus promete grande evento na estação Júlio Prestes, no centro de São Paulo. Todos chegam com bilhetinho destes de metrô, de catraca eletrônica, em mãos. Era o convite do desfile, que de fato funcionava ao ser passado nas catracas que davam acesso à plataforma da estação.

A idéia de levar todos para um endereço antigo e histórico de São Paulo era simpática, e ninguém parecia aborrecido no último desfile deste domingo (20) chuvoso, até a confusão começar. Confinados num espaço da plataforma entre a entrada e o acesso ao desfile, os convidados, à espera do início da apresentação, foram se aglomerando entre os dois trilhos, até se espremerem num sufoco que deveria ser um coquetel pré-desfile. Quem não agüentou passar cerca de uma hora apertado e foi se afastando para os fundos (não muito melhores) perdeu o lugar na sala de desfiles, mais de uma hora de atraso depois.

Com champanhe na chegada e festa programada para a saída na locação especial, a Ellus queria anunciar a compra da marca pelo Fundo de Investimentos e Participações PCP, no final do ano passado, em grande estilo. A vontade de integração era tal que, platéia cheia, de frente par os trilhos do trem, o dono da grife, Nelson Alvarenga, no meio da passarela, fez comunicado com microfone à mão, sobre a chegada do novo sócio majoritário, ao lado dos donos da PCP. Clima quebrado pelo tom oficialesco da situação, o desfile finalmente começa.

Antes que a "grife mãe" desse o grande ar da graça, houve ainda a abertura da Ellus 2nd Floor, filha mais nova e alternativa da Ellus, assinada pela talentosa Rita Wainer. Roupas para garotas e garotos bem jovens, investindo no já conhecido volume de outras estações, tanto nos maxitricôs (muito bonitos) e moletons quanto no vestidinho balonê, foram apresentados pela 2nd Floor, que também investiu nas peças acolchoadas, nas listras e "chevrons" (aquelas listras rabiscadas, meio geométricas, quase como cardiogramas). Sem novidades em termos de modelagem, o destaque ficou por conta das estampas de monstrinhos, divertidas, e dos tricôs, além do cachecol de "toy art".

A Ellus, enfim, resolveu mostrar sua coleção. Entrou na passarela literalmente fazendo barulho, trazida por um trem que apitava, enquanto chegava à plataforma carregando os cerca de cem modelos do casting da grife. A imagem era impactante, os convidados novamente se animaram. A roupa, no entanto, parecia ter descido uma estação antes. Com alguns momentos de experimentações de formas, de boas composições de look por conta do styling (caso do shortinho bufante com o colete de alfaiataria, mais a bota coturno), o Inverno 2008 da Ellus, de coturno preto, vinil, barras sem acabamento, detalhes de espinhos de metal preto, fazia menção ao universo punk, com um toque entre dândi e vampiresco, misturando referências que, no final, não resultavam em imagem forte de moda, destas que fazem as pessoas morrerem de vontade de ter aquela roupa. O streetwear da marca acabou por produzir uma imagem demasiadamente "punk de butique", misturando elementos fetichistas como as anquinhas de couro, recortadas, usadas também para compor vestidos, um pouco de alfaiataria, além de momentos mais delicados no vestido com camadas de babados e alças vinilizadas, que se repetiu em versões bem parecidas, mudando só a cor.

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