Ronaldo Fraga, o estilista "mais brasileiro do Brasil", encerra SPFW

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

  • Alexandre Schneider/UOL

    Trabalho artesanal permeia coleção de Ronaldo Fraga, com paetês coloridos em algumas peças

    Trabalho artesanal permeia coleção de Ronaldo Fraga, com paetês coloridos em algumas peças

Ele estudou em Londres e em Nova York e é conhecido como estilista "mineiro". Mas Ronaldo Fraga é mesmo é brasileiro. Provavelmente, o estilista mais brasileiro do Brasil. Talvez por esta característica, aliada ao talento vindo da combinação sempre misteriosa de intuição criativa com técnica bem apreendida, os desfiles de Fraga emocionem tanto. Em tempos de globalização, ele festeja a cultura do país, e delicadamente revela quem somos. E como somos bonitos.

Para comemorar o aniversário de 25 coleções, Ronaldo Fraga olhou para trás, lembrou do primeiro emprego que teve, numa loja de tecidos, e resolveu homenagear a essência das roupas, ou como ele mesmo chama brejeiramente no texto de apresentação da coleção, os "panos".

Numa passarela de almas de roupas como que descarnadas de seus corpos (os tecidos), feitas de transparente tule branco, pendurada em árvores também brancas, o tributo aos tecidos, às raízes brasileiras e à roupa que não só é usada para vestir mas para falar, começou.

Os muitos vestidos de Ronaldo Fraga travam uma conversa assim: dão espaço para o corpo mexer, mas gostam de imprimir sua personalidade em volumes que aparecem inflados, como nas costas do vestido uva, com bordadinhos de flores do mesmo tecido. Os bordados, aliás, remetem à qualidade do trabalho artesanal nacional, e aparecem em paetês que, espaçados, desenham e iluminam as peças de maneira diferente. O comprimento é aquele que o estilista gosta, quase sempre levemente abaixo do joelho. Nas estampas, texturas e padronagens, o xadrezinho quase caipira, os bordados com tecido formando quadradinhos, as bolinhas do tecido furadinho dialogam com a modelagem que poderia lembrar, pela sofisticação de várias das construções, os estilistas japoneses, não fossem usadas apenas como veículo para exprimir o Brasil das festas juninas, do forró, dos interiores, da cultura popular, do Caetano Veloso da trilha sonora, também inteira tocada ou cantada na língua que o país inteiro entende. A mesma língua que a moda de Ronaldo Fraga quer falar.

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