Estilista do Ilê Aiyê fala do figurino do bloco e da roupa criada para Naomi Campbell

da Redação

  • Wilson Feitosa/Coperphoto

    Naomi Campbell usa roupa feita a partir de amarrações no corpo dela, para o desfile do Ilê Aiyê

    Naomi Campbell usa roupa feita a partir de amarrações no corpo dela, para o desfile do Ilê Aiyê

Aos 52 anos, Dete Lima é a responsável pela criação dos figurinos do Ilê Aiyê desde 1974, quando o bloco (o primeiro bloco afro de Salvador) foi criado. Este ano, além de pensar nas sempre marcantes roupas dos três mil integrantes do Ilê Aiyê, ela também vestiu a top Naomi Campbell, convidada especial do desfile deste ano que teve como tema as Candaces, guerreiras africanas, numa homenagem também às mulheres brasileiras afro-descendentes.

O look de Naomi deu menos trabalho do que se poderia imaginar. "Fiz a roupa no corpo dela, em cinco ou dez minutos", conta Dete, que usou cerca de quatro metros de tecido para elaborar a saia, mais uns dois metros na blusa e dois metros e meio no lindo turbante, tudo na estampa de amarelo com branco, preto e vermelho, as cores típicas do Ilê.

Embora rápido, o figurino da modelo inglesa é para poucos: é uma tradição do Ilê vinda da cultura africana, também inspirada nas roupas que Dete via a mãe, a Mãe Hilda, vestir nos orixás no terreiro de candomblé onde o Ilê nasceu.

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Estampas criadas pelo artista plástico Mundão simbolizam mulheres homenageadas pelo Ilê
Presentes desde o início do bloco, as peças feitas apenas com amarrações são hoje privilégio da Deusa do Ébano (Adriana Santos foi a eleita desta edição do concurso realizado anualmente) e, no Carnaval 2008, também de Naomi. "Naomi também é uma Deusa do Ébano", elogia a estilista e diretora do bloco. "Ela disse que gostou [da roupa] e que o modelo que eu fiz caiu bem", completa orgulhosa.

Responsável pela concepção visual do figurino, Dete encomenda as estampas, sempre criadas pelo artista plástico Mundão, depois executadas em Recife no tecido de algodão. Neste ano, as calças e batas para os homens e vestidos para as mulheres, além dos turbantes, traziam desenhos que simbolizavam as mulheres homenageadas pelo Ilê neste Carnaval, entre elas Leci Brandão e a própria Dete Lima.(Carolina Vasone)

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