Vivienne Westwood mistura rock e política em desfile londrino

Das agências interacionais e Da Redação

  • AFP

    Look desfilado pela Red Label de Westwood na semana londrina

    Look desfilado pela Red Label de Westwood na semana londrina

Uma mistura poderosa de política e rock'n'roll foi fortemente aplaudida na quinta-feira (14), no primeiro desfile de Vivienne Westwood em Londres nos últimos nove anos.

A sempre polêmica estilista britânica fez sua primeira modelo descer a passarela de calcinhas na cor laranja dos uniformes dos presos em Guantánamo, com a inscrição "Fair Trial My Arse", um trocadilho que ironiza a justiça dos julgamentos dos detentos na prisão norte-americana em Cuba.

"Fair Trial My Arse" é uma colaboração entre a marca inglesa de lingerie Agent Provocateur e a associação para os direitos humanos Reprieve, que foi acusada pelas autoridades norte-americanas de ter levado cuecas e roupas de banho a um prisioneiro que morava na Grã-Bretanha, Shaker Aamer, que hoje se encontra em Guantánamo.

Vivienne chamou a sua coleção primavera-verão de "56" em protesto à proposta do governo britânico de estender para 56 dias o período de detenção sem acusação formal para os suspeitos de terrorismo.

Enquanto as sacolas de brindes na maioria dos desfiles de moda transbordam de maquiagem e balas, as de Westwood ofereciam abaixo-assinados e formulários para fazer doações a entidades humanitárias.

"Precisamos de uma mudança radical de ética, senão estaremos rumando para o desastre", disse a estilista, que frequentemente pontua seus desfiles com mensagens políticas.

Westwood disse à Reuters Television que, para dedicar tempo a seu manifesto político, entregou as rédeas criativas de sua coleção Red Label a um assessor em quem confia.

A estilista, que ganhou fama nos anos 1970 com suas criações para a banda Sex Pistols, repletas de alfinetes e inspiradas no tema "bondage", disse que sua coleção Red Label de outono-inverno deve muito à era punk. Microssaias e minivestidos foram usadas com botas de couro até os joelhos conferiram um ar selvagem às roupas.

O desfile da Red Label foi uma espécie de "retorno às raízes" da estilista, uma vez que ele aconteceu na King's Road que, na década de 70 foi palco do nascimento do punk e da cultura jovem da época. Foi lá que Vivienne e o seu companheiro Malcolm McLaren abriram a loja "Let It Rock", o primeiro local onde a estilista começou a vender as suas criações.

Westwood vai continuar a exibir sua primeira linha, a Gold Label, em Paris, mas disse a jornalistas que quer continuar a mostrar a Red Label em Londres.

Outro estilista britânico a voltar a Inglaterra é Graeme Black, nesta sexta, depois de 15 anos expondo suas coleções na Itália, com passagens por Giorgio Armani e Ferragamo.

O retorno de estilistas famosos vem aumentando o interesse em torno da Semana de Moda de Londres, que está vivendo um ressurgimento graças a nomes em ascensão como Gareth Pugh, Marios Schwab e Christopher Kane, todos elogiados por editores de moda.

A Semana de Moda de Londres começou em 10 de fevereiro e termina nesta sexta (15). Quase 60 estilistas terão apresentado suas coleções de outono-inverno.

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