Jovens estilistas desfilam coleções vencedoras do 1º Prêmio Criando Moda em São Paulo

FERNANDA SCHIMIDT

Da Redação

  • Fernanda Schimidt/UOL

    A top Carmelita desfila tomara-que-caia de Danilo Melhorini, vencedor do 1º Prêmio Criando Moda

    A top Carmelita desfila tomara-que-caia de Danilo Melhorini, vencedor do 1º Prêmio Criando Moda

Os cinco vencedores da primeira edição do Prêmio L'Oreal Criando Moda apresentaram suas coleções para o Inverno 2008 na noite desta quinta-feira (13) em desfile realizado na sede do Instituto Criar, em São Paulo.

A iniciativa procura dar espaço a jovens da periferia de São Paulo para que desenvolvam e mostrem suas criações na área da moda.

Após uma seleção de croquis enviados por estudantes de escolas públicas e aprendizes de ONGs da cidade, foram selecionados os finalistas: Alexandre dos Anjos, Danilo Melhorini, Felipe Ramirez, Luiza Gabrielle e Mariana Castro. Da banca julgadora, participaram importantes nomes do mercado nacional, como o diretor do São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, e as editoras de moda Maria Prata e Lilian Pacce.

"O evento é um forma de multiplicar o impacto do Instituto. É a tradução de como a moda está chegando à periferia", explicou o apresentador Luciano Huck, fundador do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias. A premiação foi toda realizada pela equipe da ONG, que criou iluminação, cenografia, beleza, styling, vídeos e trilha sonora com orientação de profissionais da área.

Após um coquetel para cerca de 300 convidados, os vencedores mostraram seu trabalho, que partiu de diferentes referências para criar 50 looks, todos femininos.

O inverno de Danilo Melhorini priorizou os vestidos levemente acinturados, com comprimento pelo joelho e estampas geométricas ou florais, que fazem referência ao seu início na moda, ainda criança, quando cortava toalhas de mesa e cortinas para criar roupas de bonecas. Num segundo momento, a coleção, pensada para mulheres clássicas, trouxe peças com ares mais de festa, como o tomara-que-caia balonê desfilado pela top Carmelita.

Com looks bastantes distintos uns dos outros, Mariana Castro apresentou sua coleção pontuada por crochês e fuxicos coloridos aplicados a mangas de blusas, barras de vestidos, bolsas, cachecóis, dedais e sapatos. Os volumes passeiam do amplo, como no segundo look - camisetão-vestido em microxadrez roxo -, ao mais acinturado, como na sobreposição de tomara-que-caia branco com listras pretas. Calça de alfaiataria, shorts de cintura alta e vestido em camadas tingido artesanalmente também fizeram parte da coleção.

Luiza Gabrielle, inspirada pela ditadura militar brasileira, apresentou criações com forte referência militar, intensificadas pela paleta, centrada em tons de verde, cinza e marrom, além do uso de botas, cintos e tachas em ouro velho. A cintura veio predominantemente alta, com macacões e calças bem juntos ao corpo. Em um dos looks, uma corda era acoplada à gola da blusa bordô, lembrando uma forca. O ar de protesto da estilista apareceu ainda nas fitas brancas vedando as bocas de todas as modelos, que as retiraram, ao mesmo tempo, no fim do desfile. A atitude ganhou lágrimas de alguns convidados na platéia.

Único vencedor a trabalhar com materiais reciclados, Felipe Ramirez criou suas peças a partir de tecidos como estofados de carros, com uma paleta de cores inspiradas por materiais radioativos. O resultado foram peças mais durinhas, acinturadas na medida em que os tecidos mais acolchoados permitiam, com predomínio de vestidos em sobreposições. A passarela era performática, com as modelos fazendo poses e mexendo os braços enquanto desfilavam. Máscaras completavam alguns looks, assim como metais amarrados como colares para pernas.

Por fim, Alexandre dos Anjos mostrou seu inverno de peças volumosas, inspiradas pelo corpo humano - mais especificamente, a boca. Tecidos acolchoados formavam espécies de jaquetas-iglu, com grandes mangas e cintura mais justa, sobrepostas, em sua maioria, a vestidinhos pretos de lycra. Os comprimentos eram curtíssimos, intercalados por catsuits superjustos em jeans claros ou couro preto. Os acessórios incluíam sapatos - todos brancos - e placas em formatos de dentes, amarradas a cinturas ou pescoços.

Na primeira fila, os desfiles eram acompanhados por famosos como Angélica, Luciano Huck, Wanessa Camargo, Marcus Buaiz, Adriane Galisteu, Eliane Tranchesi e Bruno De Luca.

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