Diretor de criação da Issey Miyake faz palestra em SP sobre a grife e criação do A-POC

FERNANDA SCHIMIDT

Da Redação

  • Fernanda Schimidt/UOL

    A-POC, de Issey Miyake, no MAM: Roupas inteiras são criadas a partir de um pedaço de tecido

    A-POC, de Issey Miyake, no MAM: Roupas inteiras são criadas a partir de um pedaço de tecido

O diretor de criação da grife japonesa Issey Miyake, Dai Fujiwara, participou de uma palestra e debate com o estilista brasileiro Jum Nakao na manhã desta sexta-feira (11), no Museu de Arte Moderna, em São Paulo. O evento faz parte da programação da exposição "Quando vidas se tornam forma: diálogo com o futuro - Brasil-Japão", em cartaz até 22 de junho, no MAM.

O foco de sua apresentação foi o A-POC ("A Piece of Cloth"), técnica desenvolvida pelo estilista Issey Miyake para criar roupas a partir de um único pedaço tecido. Desta maneira, disse Fujiwara, as "roupas podem ser cortadas como quiser", reduzindo-se o desperdício de material. Empenhado em uma moda consciente, o diretor de criação afirmou "fazer o que podemos em prol do meio ambiente".

Com um pedaço de tecido quadrado, Fujiwara mostrou como uma calça jeans é criada de acordo com o método. A explicação vinha complementar uma instalação presente na mostra, composta pelos trabalhos "A-POC Galaxy", "Burst Through The A-POC" e "Issey Miyake A-POC Inside", brincadeira com o slogan "Intel Inside".

Formado em design têxtil, Dai Fujiwara trabalha com Miyake desde 1994 e assumiu a direção criativa da marca em 2007, após a saída de Naoki Takizawa. Sua missão na marca, segundo ele, é formar uma geração que entenda o conceito A-POC e possa dar continuidade a ele, "alguém que venha a me substituir".

Durante a palestra para um auditório lotado de estudantes de moda, Fujiwara mostrou ainda um vídeo gravado em fevereiro deste ano na Amazônia. Ele e sua equipe vieram ao Brasil pesquisar cores para a próxima coleção da Issey Miyake. O grupo trouxe do Japão cerca de cinco mil tonalidades diferentes em pedacinhos de tecido, que foram comparados às cores das plantas, solos e águas da região. Os tons que se "diluíram" na paisagem foram selecionados e farão parte da paleta da Primavera/Verão 2009 da grife.

Na última parte do evento, Dai Fujiwara foi convidado a um debate com o brasileiro Jum Nakao, mediado pela japonesa Yuko Hasegawa, curadora da exposição. Yuko justificou a presença da dupla, dizendo que, para ela, são artistas conceituais, para quem "vestir é o meio para apresentar novas propostas". Da mostra, também faz parte a peça "Luxdelix", de Nakao, um vestido com ares de alta-costura, criado com sacos pretos de lixo.

Para Jum Nakao, o A-POC é interessante por mostrar um processo criativo diferente e menos aprisionado que o brasileiro. Ele explicou: Fujiwara e seu grupo foram "roubar cores in loco, não pegaram revistas internacionais para ver quais são as tendências de cor". Para o estilista, esta busca pelo que vem de fora faz com que o processo criativo "deixe muito a desejar". "É necessário pensar em uma nova forma, se não o resultado continuará a ser medíocre", alfinetou.


"QUANDO VIDAS SE TORNAM FORMA: DIÁLOGO COM O FUTURO - BRASIL-JAPÃO"
QUANDO: de 11/4 a 22/6, de terça a domingo, das 10h às 18h. Abertura para convidados, dia 10, às 20h
ONDE: Museu de Arte Moderna, Parque do Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3. Tel.: (0/xx/11) 5085-1300
QUANTO: R$ 5,50. Aos domingos, a entrada é franca

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