Lacoste faz desfile no Brasil e se prepara para morder concorrência "casual fashion"

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

  • Marcia Fasoli/Divulgação

    A coleção da Lacoste oscilou entre looks em cores neutras e tons fortes primários

    A coleção da Lacoste oscilou entre looks em cores neutras e tons fortes primários

Na noite da última quinta (24), no belo cenário redondo e branco do prédio da Oca, no Parque do Ibirapuera, a Lacoste fez desfile de comemoração de seus 75 anos. Os looks eram frescos e despretensiosos, seguindo o estilo característico da grife francesa criada pelo tenista René Lacoste.

Se a moda da Lacoste, apesar do toque cada vez mais fashion, parece inofensiva, suas ambições comerciais no Brasil, ao que os números indicam, têm a voracidade de uma versão gigante (e viva) do famoso jacaré de boca aberta bordado em suas camisetas pólo. Com cinqüenta lojas espalhadas pelo país, a grife dá a mordida crucial na fatia "casual fashion" da moda brasileira ao fincar as patas no endereço ícone de consumo dos endinheirados fashion do país: a rua Oscar Freire, onde a sua "flagship store" (ou seja, a loja que resume o conceito da marca) foi instalada no início do mês. Na área do mercado de luxo, a Lacoste abre ainda outra filial no shopping Cidade Jardim, com inauguração prevista para maio.

A vitrine em endereços como Oscar Freire, shopping Iguatemi e o novo Cidade Jardim é essencial para mostrar que a marca oferece mais do que as boas e tradicionais camisetas pólo: no desfile, a coleção para o Verão 2008 (atrasada uma estação em relação às temporadas internacionais em que as grifes, incluindo a Lacoste, que desfila em Nova York, mostraram o Inverno 2008/09 europeu e americano) veio cheia de shortinhos, macaquinhos curtos, vestidos com golinha pólo justinhos ou versão tomara-que-caia bem solta, em xadrezinho claro e fininho de azul com branco. Para os homens, a silhueta é ajustada (mais fashion), nos shorts mais curtos, nas calças afuniladas na barra e nas próprias pólos. A cartela de cores oscila entre o branco em looks totais, com apenas detalhes de frisos em vermelho, nuances claras e frescas e tons fortes primários como o vermelho, o azul, o verde e o amarelo.

Embora bem-nascida, a Lacoste, ao entrar no Brasil dentro da fatia "casual fashion", se apresenta como opção a grifes brasileiras de um nicho, se não irmão, primo próximo. É o caso de marcas como Osklen, Ellus, Forum masculina (e a parte mais básica da feminina) e Zoomp. Com os preços que as marcas nacionais têm cobrado por suas criações, a "importada" Lacoste (algumas peças eram feitas no Brasil mas a produção, a partir desta coleção, deve vir toda de fora) pode sair até mais barata: uma pólo masculina com o jacarezinho, por exemplo, custa R$ 179. Já um vestidinho de gola pólo, curtinho, é vendido por R$ 209. Se o consumidor começar a fazer as contas, que se cuide a concorrência: a mordida pode arrancar pedaço.

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