Modelos negras são apenas 2% nas passarelas

Da Ansa, em Milão

Uma pesquisa feita pelo Osservatorio World Wide Trend mostrou que em cada cem modelos, apenas duas são negras. O mesmo comportamento é percebido nas campanhas publicitárias das mais importantes marcas de luxo.

Para contornar esse quadro, o estilista italiano Alviero Martini (que também dirige o Osservatorio) decidiu escolher uma modelo negra para protagonizar a próxima campanha publicitária da sua marca Alv. Além disso, para o desfile da sua coleção, que acontece hoje em Milão, ele convocou um casting formado de 44 garotas negras, 24 de origem brasileira e 20 de origem africana.

"As mulheres negras não conseguem encontrar espaço no mundo da moda, e, principalmente nas fotografias, a sua pele é geralmente 'clareada', coisa que acontece também nos 'books' utilizados pelas agências como cartão de visita", explicou Martini.

As "justificativas" para essa atitude são permeadas por posições racistas: a modelo negra deixa a roupa muito sexy, ela é pouco fotogênica, seu cabelo menos maleável, os clientes não se identificam, ainda não existe um mercado "negro" da moda.

Segundo a pesquisa, que acompanhou 60 testes internacionais entre 2007 e 2008, essa tendência racista promete piorar. Há muito tempo que a moda não se deparava com uma homegeneidade marcadamente branca: a presença das modelos negras nas agências também fica em torno de 2%.

"As modelos negras são raríssimas tanto nos desfiles quanto nas revistas. Desse modo, a moda acaba refletindo uma sociedade homogênea que é falsa", desabafa o estilista italiano.

Esse problema foi denunciado recentemente pela estilista Vivienne Westwood, pela top model negra Naomi Campbell e pela revista Vogue.

Em Paris, a maioria das poucas agências voltadas para modelos negras fecharam as suas portas. Uma das poucas remanescentes, a Mode Black, só conseguiu sobreviver porque o seu catálogo não se resume a modelos negras.

Segundo essa agência, na Europa, as garotas negras só conseguem achar trabalho na Inglaterra e na Itália.

No Brasil, foi aberta um inquérito para investigar casos de racismo durante a São Paulo Fashion Week, onde a presença de modelos negras foi quase nula.

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