Jogê comemora 40 anos em desfile com top models, calcinhas comportadas e cantora teen

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

  • Carolina Vasone/UOL

    A top model Caroline Ribeiro comanda a fila da entrada final das modelos, no desfile da Jogê

    A top model Caroline Ribeiro comanda a fila da entrada final das modelos, no desfile da Jogê

Não foi como no desfile da Victoria's Secret. Embora as calcinhas brasileiras sejam conhecidas pela modelagem sexy e pequena "na medida" (nem o "oito" exageradamente grande no bumbum, como das americanas e européias, nem o "oitenta" do fio-dental usado também pelas americanas e européias), na coleção que comemorou os 40 anos da grife, a Jogê optou menos pela imagem da mulher "arassa quarteirão" das "angels" da grife americana de lingeries (e do estereótipo da brasileira), e mais pelo clima com ares angelicais, materializado em calcinhas grandes, quase shortinhos, em cetim ou tule, com frufrus formados pelo franzido do elástico, numa cartela de cores de tons suaves e pastéis e trilha sonora com voz adocicada e infantil da cantora teen e fenômeno da internet Mallu Magalhães.

Assista ao desfile de 40 anos da Jogê
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Na apresentação realizada nesta terça (12), com styling de Giovanni Frasson (editor de moda da Vogue), casting com algumas modelos famosas, com destaque para Caroline Ribeiro, e cenário do belo e arborizado Iate Clube de Santos (antigo Clube São Paulo, em Higienópolis, SP), o estilo inocente foi quebrado por corsets justíssimos, algumas transparências de tules com pois (as bolinhas pequenininhas) e, claro, pelo espírito da roupa de baixo, geralmente sensual em sua essência. "Eu queria fazer uma coleção inspirada nos anos 40 e 50. Mas o Giovanni insistiu que não podíamos deixar de ter os corsets e quimonos, que são marca-registrada da Jogê", diz Angela Coelho da Fonseca, estilista e uma das donas da grife.

Angela conta que confecciona artesanalmente os corsets feitos sob encomenda, com o o usado por Maria Rita em seus primeiros shows e o que Ana Paula Arósio vestiu na série televisiva "Mad Maria", de 2005. "Chego a demorar quinze dias para terminar cada corset. Meus dedos até sangram", afirma.

Brasileiras conservadoras

Há quarenta anos no mercado, mais de 30 lojas próprias e cerca de 70 pontos de venda no Brasil, a Jogê, que além de peças de confecção própria vende outras marcas de lingerie, cria cerca de 60 modelos diferentes por coleção, entre calcinhas e sutiãs, e um total de 300 modelos próprios, incluindo pijamas, camisolas, babydolls e outras peças para dormir.

A clientela, que paga em média R$80 por um sutiã e R$35 por uma calcinha, apesar da fama de ousadia da mulher brasileira, não arrisca muito. "Você pode ficar surpresa com o que vou te falar, mas o que mais sai é calcinha branca e bege. As mulheres brasileiras, na hora de comprar lingerie, no geral, ainda são bem conservadoras", diz Angela.

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