Primeira "enciclopédia dos criadores brasileiros" revela curiosidades sobre estilistas

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

  • Henrique Gendre/Divulgação

    Imagem da coleção do inverno 2006 da marca Huis Clos, de Clo Orozco, uma das biografadas

    Imagem da coleção do inverno 2006 da marca Huis Clos, de Clo Orozco, uma das biografadas

"A moda brasileira é muito jovem", é a resposta que se costuma ouvir a perguntas sobre o ensino formal de moda no Brasil, os professores, os jornalistas, editores, estilistas e a cultura de moda nacional no geral. Não mais tão jovem assim.

Leia as resenhas dos livros do segundo volume, com curiosidades sobre:
André Lima
Clô Orozco
Lenny Niemeyer
Marcelo Sommer
Reinaldo Lourenço


Com o lançamento do segundo volume da coleção "Moda Brasileira" (editora CosacNaify), há cerca de um mês em São Paulo, e relançamentos no Rio e em Belém, respectivamente, dos livros de Lenny Niemeyer e André Lima, na semana passada, as cinco biografias de importantes criadores da moda no Brasil, unidas às outras cinco publicadas no ano passado, ganharam caráter enciclopédico, numa realização inédita de documentação de algo que já pode ser considerado história de moda do país. "A Academia começou a se preocupar com a moda e isso é muito importante, porque estes são os primeiros registros. Para quem dá aula ou estuda o assunto é fundamental. As outras iniciativas são muito comerciais", diz Mariana Rocha, consultora de moda do UOL e professora de moda da faculdade Santa Marcelina, cujo curso de estilismo é um dos mais respeitados do país, com ex-alunos como Alexandre Herchcovitch.

Moda autoral

Herchcovitch, Gloria Coelho, Walter Rodrigues, Ronaldo Fraga, Lino Villaventura, Clô Orozco (da Huis Clos), Marcelo Sommer (Do Estilista), Reinaldo Lourenço e André Lima formam um pequeno time que ajudou a desenhar o espírito criativo fashion dos últimos vinte, trinta anos (as grifes mais antigas solidificaram o sucesso nos anos 80, outras foram criadas nos 90). É uma história ainda recente, é fato. Ainda mais ao se pensar que marcas como a francesa Chanel beiram os cem anos, outras como a inglesa Burberry já passaram de um século de existência. É o começo, porém, do fortalecimento da identidade criativa brasileira. "A coleção ajuda o leitor a descobrir a importância da autoria na moda", afirma Alcino Leite Neto, editor de moda da Folha de S.Paulo, e responsável pela quarta capa do livro sobre Reinaldo Lourenço.

Reverência e curiosidades

Com textos curtos, um de apresentação e outro biográfico, muitas fotos e uma linha cronológica que encaixa as informações mais relevantes de cada estilista entre acontecimentos marcantes da moda dentro do período da história do personagem, os livros ainda têm diagramação diferente (e premiada, assinada por Elaine Ramos), de acordo com o perfil de cada criador. Neste segundo volume, os contemplados são André Lima, Lenny Niemeyer, Clô Orozco, Marcelo Sommer e Reinaldo Lourenço.

As biografias, por vezes em tom reverencial, passam pela infância dos retratados, o início de carreira, as inspirações, o estilo e as técnicas de criação, e acabam por revelar curiosidades sobre os famosos estilistas. Como a de que Reinaldo Lourenço, já aos dez anos, bordava e vendia lenços de cambraia em Presidente Prudente, sua cidade natal (já se sabe de onde veio a precocidade profissional do filho Pedro, também estilista, aos 17). Ou que Clô Orozco já teve uma linha masculina, a Huis Clos Homme, lançada em 1981. Ainda, que André Lima criou seu primeiro "moulage" (quando a roupa é feita diretamente no corpo do manequim) aos seis anos de idade, ao trocar a roupa de uma boneca de sua irmã por um pano amarrado.

Para saber mais curiosidades sobre os estilistas, leia as resenhas sobre cada um deles, ou acesse a galeria de fotos.

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