Muito dourado, lamê e moletom, propõem jovens estilistas da Casa de Criadores

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

A segunda rodada da Casa de Criadores, que acontece até esta quarta (10) no shopping Frei Caneca, foi uma verdadeira maratona de desfiles de estilistas iniciantes e jovens marcas. Ao todo, onze coleções foram apresentadas em menos de duas horas na última terça (9). Haja fôlego.

FOTOS: Clique para ver os desfiles do projeto LAB, Gêmeas, Der Metropol, Diva, Marcelu Ferraz e PŽtit
VÍDEOS: Assista aos desfiles da Casa de Criadores
Saiba como foi o primeiro dia de desfiles na Casa de Criadores Inverno 2009

Marcelo Soubhia/UOL

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Vestido preto com fenda e fios dourados foi um dos destaques do desfile da P'tit, na Casa de Criadores



Entre os maratonistas, ganharam destaque uma "veterana" e um quase estreante na temporada alternativa. A grife P'tit, já conhecida dos fashionistas, e a Der Metropol, em seu segundo desfile, ganharam aplausos por motivos diferentes.

Em noite com muito dourado forte, lamê e moletom, a P'tit e a Der Metropol até usaram estes elementos, mas equilibrados, na melhor versão entre as apresentadas no dia.

Marcelo Soubhia/UOL

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A Der Metropol investiu em bons moletons, como a jaqueta creme com abotoamento duplo e calça de cavalo baixo

Em carreira solo desde que se separou da sócia na última edição dos Criadores, Mario Francisco, da Der Metropol, assinou a já aplaudida linha masculina (para o verão 09, criou belas estampas de madeiras e ótimas versões de lenhadores) e feminina. Os homens continuam o forte da grife, que desta vez usou a banda Alice in Chains como referência, mais especificamente as letras da música, de onde tirou as temáticas de morte e de decepção amorosa. Calças de cavalo baixo, jaquetas com jeito de paletó, como a creme, com abotoamente duplo, usada com calça de gancho baixo, ambos em moletom, e desdobramentos de peças de alfaiataria marcaram a coleção do estilista. Com modelagem complexa, curiosamente é quando Mario se concentra na simplicidade, tanto do moletom como das peças de alfaiataria menos sisudas (como paletó, no lugar de smoking) que suas roupas alcançam grande êxito. Quando é usada a risca de giz com brilho de cetim ou o smoking como referência, o resultado perde em leveza e até em complexidade.

Cada vez mais próxima do corpo, numa sensualidade sempre insinuada mas mais digerível em relação a coleções passadas (quando o caimento das roupas causava certo estranhamento para mulheres que não fossem donas de galerias de arte), a P'tit desta vez se inspirou no elegante movimento do art déco (décadas de 20 e 30) para criar sua coleção. Os tecidos diferenciados, alguns vintage, garimpados em viagens, são sempre destaque nos desfiles e colaboraram para o clima retrô da coleção. O dourado apareceu para dar glamour às roupas, mas comedido, em detalhes, tanto em franjinhas penduradas na cintura das saias como em detalhes de vestidos, caso do belo vestido preto com abertura na coxa e fios dourados bem fininhos contornando gola, mangas e barra. A combinação classuda do preto com dourado, com mais preto que dourado, para ficar chique, apareceu bastante, seguindo uma cartela de cores que remetia ao art déco, caso do azul sujo, envelhecido, da calça pantalona com o vermelho vivo do sapato de verniz de salto médio, ou o bege com vermelho apagado de um dos vestidos finais. Assimetria nas barras das saias e nos recortes dos coletes também marcou o inverno da P'tit, que encerrou a apresentação com dois vestidos longos para arrasar em festas formais.

Marcelo Soubhia/UOL

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Desfile de R. Rosner, do projeto LAB, contou com vestidos de festa, como este em preto e dourado

Nesta terça (9) desfilaram ainda as grifes do projeto LAB, com R. Rosner, Tony Jr., Mahogani, Juliana Altafim e Najla Dib, Jadson Raniere e Arnaldo Ventura. Irregulares, as coleções dos jovens estilistas tiveram boas idéias, mas alguns problemas, em diferentes casos: falta de continuidade no desenvolvimento da história ou tema da coleção (caso de Tony Jr., que começou com bons modelos com estampa de respingo de tinta, e terminou com uma miscelãnia de referências, bichos e etnias), mistura de materiais nem sempre bem-sucedida, resultando em peças às vezes pesadas (renda com couro, no caso dos vestidos de festa corajosos de R. Rosner), referência muito colada a grandes estilistas, tendências ou peças-ícone de moda (a idéia da coleção inspirada nas formigas, de Arnaldo Ventura, era ótima, mas acabou menos original e muito próxima de monstros da moda como Balenciaga e Comme des Garçons) e peças sem muitas variações em relação ao que já oferecido no mercado há muito tempo (Mahogani, com vestidinhos ingênuos e mais "fortes" em preto, com a "força feminina" personificada pelas travestis Bianca Exótica e Michael Love e Jadson Raniere, não trouxe muita novidade em termos de modelagem ou linguagem, assim como Jadson Raniere, com seu utilitário).

Na programação dos mais "experientes" (entre aspas, afinal são todos marcas pequenas e novas), entraram na passarela ainda as Gêmeas, em coleção com apresentação de bailarinas (inspiração em "O Lago dos Cisnes") e roupas com perfume roqueiro para garotas que gostam de festa e da noite (também sem novidades, como nos jovens do LAB, em termos de modelagem ou proposta de moda), Diva, em inverno para meninas com queda por um babado, vestidos cheios de frufru, com ares retrôs e exagero propositalmente kitsch, lembrando muitas vezes a estética usada por outra Taís Losso (estilista que adora brincar com o tema, ex da Sommer) em modelos mais divertidos como imagem do que usáveis, e Marcelu Ferraz, com streetwear masculino em moletom, para garotos que gostam da rua e de festas em boate.

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