Pérolas, batas e tubinhos são os hits do figurino de "Maysa"

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

O olhar domesticado pelos padrões de beleza quase anoréxicos não perdoa: ao assistir à minissérie "Maysa", que estreou na última segunda (5) na TV Globo, a maioria das mulheres deve ter achado a famosa cantora brasileira homenageada nas telas acima do peso. Para não deixar dúvidas, o personagem de Ronaldo Bôscoli (Mateus Solano) denuncia com todas as letras, no final do segundo capítulo: "Um pouco gordinha para o meu gosto".

Veja fotos do figurino de "Maysa"
Veja o cabelo e a maquiagem de Maysa na minissérie

Divulgação

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A figurinista Marília Carneiro garimpou mais de 100 peças só para os looks de Maysa



Os quilos a mais que deixariam qualquer estilista de fashion week à beira de um colapso nervoso não incomodam em nada a responsável por vestir a personagem da cantora. "Maysa tinha uma elegância que independia de seu peso", afirma Marília Carneiro, figurinista da minissérie e de tantos outros sucessos televisivos, como as novelas "Dancin' Days", "O Clone" e "Celebridade", em entrevista ao UOL Estilo.

Se um manequim 44 definitivamente não é empecilho para prova de estilo, a caracterização da personagem exigiu um bocado de mudanças e trabalho. Larissa Maciel, a atriz que interpreta Maysa, precisa usar um corpete com enchimento para tornar seu manequim 38 um pouco mais rechonchudo. A escolha das roupas também segue as necessidades da silhueta da cantora que, na vida real, travou longa batalha contra a balança. "Gordinha não pode usar tudo. Conforme a Maysa vai engordando [ao longo da vida] começo a embrulhá-la", conta Marília, que lançou mão do uso do xale como técnica para esconder os braços da atriz, finos demais para uma moça cheinha.

Hits dos anos 50, 60 e 70

Dividido em três décadas (50, 60 e 70), o figurino acompanha a moda das épocas em que Maysa viveu, à maneira da cantora, que, segundo Marília, era mais "conservadora" para se vestir.

Nos anos 50, então, as saias rodadas e o corpete imperaram, como mandava a tendência mais tradicional da época. Já nos anos 60, os vestidos tubinho viram uma das marcas-registradas do estilo cantora, usados com casaquinho. Os vestidos abertos em "A" também aparecem no período. Finalmente, nos anos 70, as batas indianas longas que a personagem não tira do corpo, incluindo a túnica bordada a ouro que a cantora usou num show do Canecão e única peça do guarda-roupa original da cantora, usada na minissérie.

As pérolas aparecem muito na novela e acompanham a personagem durante certo período, entre os anos 50 e 60, mudando de desenho conforme a idade e a ocasião. Aos 15 anos, Maysa usa apenas um fio delas. Quando aparece cantando na televisão, o design é mais arrojado, formando espécies de bicos. Já em companhia do marido, integrante da rica e sóbria família Mattarazzo, o colar é de duas voltas de pérolas. Todas as peças são jóias verdadeiras, desenhadas por Marília e executadas pela H.Stern. "Com as novas câmeras e a alta definição, não dá para usar bijuteria", diz.

Pesquisa e roupas feitas por encomenda

Com um personagem baseado numa pessoa que realmente existiu, Marília afirma ter sentido mais responsabilidade na hora de criar os figurinos. "É um passado muito recente. Ela morreu no final dos anos 70 [em 1977]: eu vivi essa época, todo mundo lembra dessa época", afirma. Por outro lado, o material de pesquisa foi riquíssimo. "Tive acesso até aos diários dela, onde ela conta, por exemplo, que adorava moda", diz.

Como os looks eram todos de época, os mais de 100 figurinos montados só para a personagem Maysa (sem contar os mil figurantes) foram garimpados em brechós ou encomendados para uma loja carioca confeccionar, a Corporium. "Os vestidos de festa, esses rodados, mandei fazer dentro da Globo. Para este tipo de roupa, ninguém faz melhor do que eles", diz sobre a equipe de costureiras da emissora.

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