Reinaldo Lourenço propõe geometria e vestidos de sonho para o inverno 2009

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

Um novo jeito de se vestir, para que a roupa consiga acompanhar o mundo que a gente vive hoje, sem parecer desatualizada, alguns anos ou até décadas antes das pessoas não só terem celular, mas internet nos aparelhos. Ou do mundo ser tão rápido que não há quem consiga se inteirar de todas as notícias do dia. Ou ainda num planeta tão globalizado que em poucos países se consegue sentir aquele estranhamento de estar diante de uma cultura realmente diferente.



Nesta busca de adequação da moda ao seu tempo, Reinaldo Lourenço olhou para trás e para frente: se inspirou nas esculturas geométricas do romeno D.H. Chiparus (artista art-decó do início do século 20) e num futurismo também retrô. Misturou tudo ao seu próprio estilo e pensou no que a mulher vai querer usar. E, "voilà": às peças urbanas, com construções que fazem as peças parecerem uma coisa na frente e outra atrás, agregou uma seleção de vestidos de sonho. Destes que fazem as mulheres pararem de raciocinar para pensar: "quero um assim!", hipnotizadas pelo brilho, pela atmosfera de sonho, de conto-de-fadas de um belo vestido que enfeita e que é moderno.



Começando do fim: a penúltima série de vestidos, quando surgiu na passarela, encheu os olhos. Brilhante, feito de placas metalizadas, cobrindo a parte de cima, o vestido com cintura deslocada, saia em seda reta abrindo em babados na barra, alças grossas, carregava um quê de anos 20, um quê de tecnologia robótica, com feminilidade sensual. A série das plaquetas continuou, dando efeito de escamas de peixe ao tomara-que-caia com saia aberta, ao vestido cinza prateado mais escuro com transparência de organza. Depois, os metalizados em dourado e prata combinados com o preto, com formas geométricas acentuadas e detalhes das mesmas plaquetas ali e acolá. Bonitos também, mas nem todos tão arrebatadores.



No início do desfile, os casacos como o que abriu a apresentação, que na parte de trás revelava uma segunda camada de uma pelerine curta, traziam este jogo de se tranformar conforme iam e vinham. Palas de casacos trench coat apareciam nas costas e continuavam nas mangas, dando uma impressão de asas às peças. Em outro momento, as costas estufavam quase como um casulo, enquanto a parte da frente do vestido em vinho permanecia seca. Golas duras, pronunciadas, manguinhas duras e curtas, bicos triangulares nas saias, mantôs-pelerine curtinhhos e franjas brilhantes em verniz (alusão ao jazz, outra referência do estilista) também fizeram parte do inverno 2009 de Reinaldo Lourenço.

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