2º dia da Casa de Criadores tem jovens talentos do Projeto Lab e pernas de fora

FERNANDA SCHIMIDT

Da Redação

Em seu 2º dia de apresentações, a Casa de Criadores propôs, para o Verão 2009/10, cinturas altas e comprimentos curtíssimos para homens e mulheres e vestidos de festa no shopping Frei Caneca, em São Paulo.
  • Marcelo Soubhia/UOL

    Look apresentado pelo estilista Rober Dognani no segundo dia da Casa de Criadores, em São Paulo



Os modelos de festa de Rober Dognani encerraram a noite e figuraram entre os destaques da quinta-feira (28) de desfiles. A coleção recebeu toque futurista com tecido cinza que refletia a luz dos flashes dos fotógrafos, para compor a "mulher lustre" pensada pelo estilista. Os modelos, todos bem curtos, ganharam ombros marcados e pontudos, além de plissados eventuais, como no vestido "amarelo post-it" de mangas. A silhueta é ligeiramente ajustada ao corpo e assimétrica, em moulage, com a cintura predominantemente alta. As maxigolas retangulares, presente na última coleção do estilista em versões mais simétricas e estruturadas, sofreram modificações para o próximo verão, caindo para os ombros ou aparecendo mais moles.

Abrindo a programação da segunda noite do evento voltado para pequenas marcas e novos talentos da moda brasileira estava o grupo selecionado para o Projeto Lab, que reúne os mais jovens trabalhos, alguns recém-saídos da faculdade. Em uma apresentação sem intervalos desfilaram: Mahogany (inspirado pelo Studio 54, Dorival Guirado mostrou peças coloridas, em vestidos de silhueta solta ou conjuntos de cintura alta e tops, que deixavam a barriga à mostra), Danilo Costa (a coleção foi pontuada por referências infantis - sua inspiração - e trouxe, do chiclete mascado pelos modelos aos ursinhos bordados em camisetas, moda masculina de corte seco, próximo ao corpo, com macaquinho, shorts bem curtos e coletes, em que a frente e o verso eram idênticos), Twooin (com formas amplas e assimétricas, para remeter aos pijamas confortáveis, cintura alta e o vestido de canetas Bic), Arnaldo Ventura (antecedida por encenação com um batalhão de exército e pessoas cambaleantes, a coleção focada no vermelho e terrosos trouxe ombros marcados e volumosos e cintura alta, acrescida uma vez ou outra de volume nos quadris) e Jadson Ranieri (coleção sóbria, em tons de preto e bege, inspirada pelas aventuras náuticas dos séculos 18 e 19, com looks masculinos e femininos, de silhueta próxima ao corpo e transparências pontuadas por fios dourados).

As transformações climáticas e mutações serviram de pano de fundo para a coleção da TudiCofusi, que investiu em jeans, em calças bermudas, tops e blusas soltas, marcadas por franzidos de faixas de elásticos, e maiôs biquínis e sungas, em cores como o amarelo flúo. A estamparia, que costuma ser forte na marca, trouxe olhos e gosmas, assinados pela artista plástica Edilaine Cunha. Em parceria com o projeto Viva a Diferença, o coletivo incluiu em seu casting mulheres fora do padrão de beleza visto nas passarelas, como uma grávida e uma modelo que desfilou de muletas. Durante a apresentação, a banda Bazar Pamplona fazia intervenção ao vivo.
  • Marcelo Soubhia/UOL

    Exército e pessoas cambaleantes deram início ao desfile de Arnaldo Ventura, no Projeto Lab


A moda praia da Purpure, assinada por Mark Greiner e Weider Silverio, levou mix de referências à sua nova coleção, que vão do kitsch dos anos 80 ao black tie e à cantora Grace Jones. Os ombros eram marcados com estruturas duras arredondadas, pontas e laços, em maiôs que priorizavam o preto e o branco, com incursões pelo roxo, lilás e pink. A cintura alta era marcada por faixas e as peças ganhavam pontos de brilhos com tecidos como a lycra de seda e em detalhes nas mangas e fivelas.

Já o estilista Geraldo Couto mostrou seus vestidos para festa inspirados na cantora egípcia Dalida. Antes do desfile, o cenário preto ganhou largas listras brancas e pretas, e o nome do estilista em vermelho, ao fundo, em referência à cartela adotada para este verão. O forte da coleção foram os vermelhos, em diferentes modelos em veludo de malha, com ou sem manga, decotado ou fechado, com ou sem cauda, lembrando túnicas. A seguir, o tom quente deu lugar aos pretos revestidos por paetês, que iam caindo pela passarela à medida que as modelos passavam, também em variados modelos, com predomínio das saias em camadas e volumosas, e culminaram em um tomara-que-caia branco todo plissado.

O streetwear masculino retornou à passarela com a coleção da ADD, inspirada em um fim de tarde psicodélico. O estilista Faissal Makhoul colocou as coxas dos modelos à mostra, com shorts curtos e bermudas acima do joelho. O apelo surfista apareceu em tecidos atoalhados, em shorts e jaquetas, que faziam contraponto à alfaiataria de camisas e gravatas. Mistura de estampas - incluídas aí florais, bolas, xadrez, cocos e coqueiros - ou combinações monocromáticos apareceram ao longo dos looks mostrados. A cartela de cores dividiu-se em quatro grupos: vermelho/branco/lilás, amarelo/branco/marinho, preto/laranja/verde e azul/vermelho.

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