Dourados de Walério Araújo dividem encerramento dos Criadores com coletes e macacões

FERNANDA SCHIMIDT
Da Redação

Dourados e nu em estamparia de Walério Araújo encerraram a programação de desfiles da 25ª edição da Casa de Criadores, nesta sexta-feira (29), em noite que prometeu coletes, macacões e macaquinhos para o Verão 2009/10.
  • Marcelo Soubhia/UOL

    A top Viviane Orth desfila look de Walério Araújo com flores bordadas em fios banhados a ouro, no encerramento da Casa de Criadores, em São Paulo


A apresentação da nova coleção de Walério Araújo começou com aplausos antes mesmo de a primeira modelo entrar na passarela. Já no vídeo inicial, que introduzia cada desfile com uma entrevista com os estilistas, o pernambucano de Lajedo disparou "o glamour do brilho [nunca sai de moda]". E assim foi sua coleção para o próximo verão: brilho e mais brilho. Araújo investiu nos metalizados, com bordados em canutilho, crochês de fios banhados a ouro (em formatos de flores que revestiram todo o vestido desfilado pela top Viviane Orth), macacão justíssimo dourado e com pregas ou ainda nas pedras bordas em uma microssunga. O contraponto a este glamour buscado pelo brilho - segundo o estilista, uma homenagem à arte e suas estátuas em ouro - veio na estamparia digital. Walério quis trazer a perfeição das estátuas gregas para o mundo real. "É o nu atual, o homem malhado que vai para a academia e dança na boate. E a travesti operada", contou do backstage. Corpos despidos, em tamanho real, revestiam camisetas masculinas e femininas, na frente e no verso. Ao fim do desfile, novamente aplaudido - desta vez de pé por parte dos convidados -, o estilista ainda arrancou gargalhadas da plateia: parado em frente ao pit dos fotógrafos, posou ao som do hit "Eu Sou Stephany" e deixou a passarela.

Após o desfile de Walério Araújo, alguns convidados e imprensa digiram-se para o heliponto do shopping Frei Caneca, sede da Casa de Criadores. Lá em cima, o designer Ademar Ferrera fez a estreia de sua marca oNONO, com a "Coleção #01", em que procurou olhar para os opostos: looks combinando peças justas e amplas (collant masculino com casaco jeans solto), tecidos leves com adereços pesados (macacão curto com maxiombreiras de acrílico).

No início da noite, a marca Gêmeas, das irmãs Carolina e Isadora Fóes Krieger, mostrou seu Verão 2009/10 sóbrio, inspirado no México. O preto característico das criações da dupla foi acompanhado por bordados coloridos, em que predominavam vermelho, amarelo, verde, como no vestido inicial, de cintura alta marcada por faixa de renda, ou nos detalhes laterais em calças e coletes.

Os coletes, aliás, reapareceram na maioria dos desfiles seguintes. Marcelu Ferraz aproveitou a peça em looks brancos totais, combinado a short curto e camisa regata. A cora branca ganhou a companhia do verde limão flúo e de um preto eventual (em conjunto de calça e paletó com estampa de esqueleto) - as únicas cores na cartela. O estilista mesclou alfaiataria e street em criações como o macacão com ares de fraque.

A No Hay Banda mostrou coleção leve, em tons pastéis, marcada por vestidos frescos e curtos, com saias em camadas, plissados ou pregas. Nos conjuntos de regata e saia ou calça, predominou a cintura alta, acompanhada em um momento por colete comprido.

As cores fortes marcaram a passarela de Tony Jr., tanto nos looks masculinos quanto nos femininos, com azul, laranja, verde limão, amarelo e rosa. A estamparia - geométrica - remetia ao trabalho do fotógrafo sueco Carl Kleiner, inspiração para a coleção. A silhueta é ajustada ao corpo, em vestidos justíssimos e curtos, no "catsuit" de abertura, nos coletes acinturados ou na superskinny preta masculina com camisa curta.

O início do desfile da grive Diva foi interrompido por uma intervenção dos estudantes Renan Serrano e Fernanda Ruivo, que defendem a "moda de protesto", como definiu Serrano. "Esta coleção fala do preconceito, queremos mostrar que o negros são lindos de qualquer maneira". O casal apresentou casting composto apenas por modelos afro-descendentes que desfilaram looks todos brancos ou pretos com vestidos e macacões de formas assimétricas.

A assimetria marcou também alguns looks da coleção da Diva, da estilista Andréa Ribeiro, inspirada por papeis de carta. O verão da grife trouxe criações em que a mescla de tecidos de diferentes padronagens dava a ideia de várias peças sobrepostas, quando na verdade se tratava de uma única, como os vestidos mais soltos unindo lisos e bolinhas ou listras, com mangas em apenas um dos braços ou camadas de saias. Flores em tecido ou pedras de strass incrementavam as peças. Looks masculinos, em estreia na grife e que ganharam o apelido de Divino, vieram mais secos, com microshort combinado a colete, camisa e gravata borboleta ou com paletó acinturado, ou nas calças de barra dobrada, com camisa curta e suspensórios.

André Phergom, que desfilava coleções masculinas e femininas até a temporada passada, optou por focar seu trabalho sobre a passarela apenas nos looks para os rapazes. Buscando inspiração no livro "O caçador de pipas", de Khaled Hosseini, Phergom criou estampas gráficas, como zigue-zague (revestindo calças mais secas ou com volume no quadril, bermudas e blusas) e triângulos retos (usadas em camisetas). A silhueta deu preferências às peças mais próximas ao corpo, tanto na parte de cima quanto na de baixo, e a cartela de cores priorizou azuis, verdes, amarelos, pretos e cinzas.

UOL Cursos Online

Todos os cursos