SPFW começa sem desfiles, com aula de moda e sotaque francês

CAROLINA VASONE
Editora da UOL Estilo

Nada de modelos na passarela, roupas para serem usadas na próxima estação brasileira. A edição para o verão 2009/10 do São Paulo Fashion Week começou numa livraria com uma aula de moda na tarde da última segunda (15). O professor em questão foi Didier Grumbach, importantíssimo nome da moda francesa e trazido ao Brasil pela organização do SPFW para o lançamento de seu livro "Histórias da Moda", da Cosac Naify.

  • dIVULGAÇÃO

    O francês Didier Grumbach lança 'Histórias da Moda' (Cosac Naify) durante o SPFW

Em época de comemorações do Ano da França no Brasil, o pretexto da conexão entre os dois países não poderia ser mais oportuno e feliz, numa rica contribuição da principal temporada brasileira para os fashionistas. Grumbach é presidente da Federação Francesa da Costura, o órgão responsável pela semana de moda de Paris. Também preside a Câmara Sindical da Alta-Costura, organizadora da semana de alta-costura parisiense. Além disso, participou da fundação da marca Yves Saint Laurent Rive Gauche, um marco na história da disseminação do prêt-à-porter como roupa não só democrática mas também "cool". Ou "branché", como diriam os franceses.


Na classe com monsieur Grumbach

Preparado com slides e uma vivência de moda impossível de ser encontrada num país tão jovem na área fashion quanto o Brasil, Grumbach fez um apanhado sobre a história da confecção das roupas desde Maria Antonieta ("era a rainha que ditava a moda"), quando tudo era feito sob medida, passando por Charles Worth, o primeiro costureiro com o status de criador de moda e fornecedor dos vestidos de festa da corte francesa na segunda metade do século 19, até o início da queda da alta-costura, após a Segunda Guerra Mundial, para a ascensão do prêt-à-porter. "Até antes da guerra, o mundo vinha a Paris comprar os modelos que tinham autorização para serem copiados", conta.

Com o fim da guerra, as maisons começaram a se adaptar, mesmo que na marra, aos novos tempos. "Como os costureiros consideravam o prêt-à-porter algo menor, terceirizavam sua confecção. Fui fornecedor de marcas como Givenchy, Yves Saint Laurent e Emanuel Ungaro", diz, com a naturalidade de quem foi não só testemunha, mas personagem da história da moda da metade do século 20 para frente, dividindo enquadramentos fotográficos com nomes como o próprio Yves Saint Laurent.

Livro e revistas

As fotos usadas na aula de Grumbach são parte do livro "Histórias da Moda", cujo lançamento acontece durante a semana do SPFW e incluirá uma mesa de debate com estilistas que participam como convidados da Semana de Alta-Costura de Paris, entre eles o brasileiro Gustavo Lins.

"É um livro que tem como foco mais o negócio do que a história da moda", afirma Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Cosac Naify. O recorte, então, é feito a partir do olhar e das experiências do autor, que revela partes do processo da indústria da moda francesa e seus principais criadores, ajudando a compreender o caminho que as maisons francesas fizeram até chegar ao século 21, algumas com muito sucesso após revitalizações, como Chanel, Dior e mesmo Balenciaga (Cristóbal Balenciaga não queria que sua marca continuasse depois da morte dele).

Responsáveis por alguns dos desfiles mais impactantes do mundo da moda atual, estas mesmas grifes, segundo Grumbach, começam agora a se questionar sobre a importância dos desfiles numa época em que os clientes querem comprar (e compram) a roupa que acabaram de ver na internet, já disponível para venda (na Europa as temporadas acontecem seis meses antes de irem para as lojas) e quando a apresentação para seduzir a imprensa se esvazia de significado no caso das principais revistas de moda. "Não sei no Brasil, mas na Europa as revistas têm seus conteúdos todos vendidos. E não estou falando sobre a publicidade, mas o conteúdo editorial."

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