"Sou teimosa e direta, e isso me aproximou de Chanel", diz Audrey Tautou, que interpretou estilista no cinema

ANA MARIA BAHIANA
Especial para o UOL, de Los Angeles

Quando os produtores do que viria a ser "Coco Antes de Chanel" ("Coco Avant Chanel", 2009) apresentaram a ideia à diretora Anne Fontaine, sua primeira reação foi cautelosa. "Eu sabia que já existiam dois outros filmes sobre Chanel", Fontaine diz. "Sempre fui fascinada por Chanel como mulher, como pioneira. Mas deixei bem claro a eles que só faria o filme se eu pudesse mostrar algo de novo sobre Chanel. E se a atriz que a interpretasse fosse de primeira linha."

As duas metas de Fontaine foram alcançadas: "Coco Antes de Chanel" explora os anos de formação de Gabrielle Bonheur Chanel, menina pobre, abandonada pelo pai alcóolatra, com a irmã, num orfanato, que sonhava ser cantora e atriz e aprendeu a costurar e fazer chapéus para, como ela explica numa fala do filme, "nunca depender de homem algum".

TRAILER DE "COCO ANTES DE CHANEL"


E sua Chanel é sua primeira escolha: Audrey Tautou, provavelmente a estrela do cinema francês mais conhecida internacionalmente. "Minha primeira impressão de Audrey, sem conhecê-la pessoalmente, é que ela seria doce demais para ser Coco", Fontaine admite. "Mas logo vi que ela tinha toda a personalidade forte e a determinação de Chanel."

"Sou teimosa e direta", Tautou confessa. "E isso me aproximou muito de Chanel." Em termos de estilo, Tautou também se identificou com sua ilustre personagem: "Não sou uma pessoa ligada em moda, certamente não em modismos. Não sigo tendências, não quero usar o que todo mundo está usando. Gosto de coisas simples, peças que duram muito tempo. Gosto de estilo, não de moda. E Chanel é isso: estilo."

Concentrar-se na juventude e na ascensão de Chanel como estilista trouxe benefícios estratégicos para o filme. "Foi uma maneira não apenas de mostrar um lado pouco conhecido de Chanel, mas também de poder fazer um trabalho realmente criativo, sem problemas de conflito com marcas e direitos, sem a Maison Chanel olhando por cima do meu ombro", Fontaine diz.

Por outro lado, criou também desafios de produção. "Como imaginar o processo pelo qual Chanel chegou ao seu estilo, à modernidade absoluta de suas roupas?", Fontaine diz. "Como mostrar isso com imagens fortes o bastante para que o público compreendesse?".

A solução foi recorrer a Karl Lagerfeld, estilista chefe da Maison Chanel. "Ele foi gentilíssimo", dizem Fontaine e Tautou, em acordo.

Fontaine submeteu a Lagerfeld os croquis dos modelos que Chanel cria ao longo do filme, e que mostram como ela incorporava elementos do que via e vivia ao seu estilo. "Era um risco, estávamos praticando uma licença poética", diz Fontaine. "Mas ele olhou todos os modelos e só disse 'sim', 'sim', 'sim' e, finalmente, 'muito bom!'".

Para a cena final, quando Chanel, no auge da fama, observa um desfile de uma de suas coleções, Fontaine e Tautou ganharam acesso ao "santo dos santos" da maison: o grande depósito climatizado onde estão guardadas todas as peças originais criadas por Coco.

"Foi uma experiência emocionante", diz Fontaine. "Lá estavam eles, cobertos em plástico, todos os trajes que marcaram nossas vidas: os tailleurs, os mantôs, os vestidos de noite. Todos eles! Karl foi extremamente generoso e nos deixou escolher o que quiséssemos, não apenas para Audrey usar na cena, mas principalmente para os modelos desfilarem." Audrey concorda: "Foi absolutamente emocionante".

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