Com nova vontade conceitual, SPFW recebe estreantes Fernanda Yamamoto e João Pimenta

FERNANDA SCHIMIDT

Em São Paulo

Com a nova direção que o São Paulo Fashion Week quer dar à sua programação, abrindo mais espaço à moda autoral, a temporada Verão 2011 incorporou dois talentos: Fernanda Yamamoto e João Pimenta.

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    A estilista Fernanda Yamamoto em sua loja em São Paulo (29/01/2010)

Saída do lineup do Rio Moda Hype, desfile voltado para novos designers que integrava o Fashion Rio, a estilista Fernanda Yamamoto, 30, espera que sua moda feminina e delicada ganhe mais visibilidade com a estreia, na segunda-feira (14), rendendo parcerias futuras. “Tenho consciência de que é um começo. O trabalho de construção de marca é realmente de longo prazo”, disse em entrevista ao UOL Estilo.

As expectativas de João Pimenta, 43, egresso da Casa de Criadores, que mostra sua coleção neste domingo (13), são de caráter mais íntimo. Na Casa de Criadores, disse ele, sua posição era mais confortável: desfilava em uma mesma sala, com um grupo de estilistas, que apresentavam suas coleções em sequência. “Agora, é mais complexo, tanto em relação ao que passo a exigir do meu trabalho, quanto em termos administrativos, de acabamento de roupa. O São Paulo Fashion Week é mais individual. Tenho que me preocupar com a passarela, com a luz, se vai ter público, se os modelos vão ter o que comer”, contou o estilista de moda masculina, que se apropria de proporções e firulas – hoje, características femininas.

Ambos os estreantes acreditam na vocação conceitual do evento. “É importante ter diversidade de trabalhos e renovação. A moda pede isso. Ter espaço para marcas mais conceituais, independentes e menores, em meio aos grandes ‘players’ do mercado”, afirmou Fernanda, que foi aluna e assistente de Jum Nakao. Para Pimenta, “a passarela não é o momento de vender roupa, mas de apresentar conceito e linguagem de moda. Colocar calça e camiseta é desperdício de espaço”.

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    O estilista João Pimenta em seu ateliê, em 2008

Um de seus desafios é justamente aliar este lado autoral à comerciabilidade de suas peças. “Mesmo a moda conceitual tem der ser pensada para o corpo, e estilista também tem que sobreviver”, disse Pimenta. Afinal, é necessário vender, pagar funcionários, a manutenção da loja e do ateliê. Segunda Fernanda, a dificuldade está em “trazer um olhar fresco e investir no desenvolvimento. Criar algo novo custa muito mais caro e demanda muito mais tempo do que simplesmente reproduzir algo”. Para eles, no entanto, etiquetar as peças com preços elevados não é uma saída. “Sempre me coloquei no lugar de consumidora e tento ser o mais justa possível”, afirmou a estilista, que vende vestidos por em média R$ 400 cada e pensou sua loja como um espaço colaborativo para jovens talentos de São Paulo e outros estados, entre eles Julia Valle, Sann Marcuccy e In.Use.

Pimenta compartilha da opinião. “Tenho loja há cinco anos e, desde o início, tenho praticado o preço justo. Se supervalorizar a minha roupa, estarei indo contra as minhas convicções. Não tenho fascínio por ganhar dinheiro. Sou meio romântico. Quero enriquecer culturalmente com o meu trabalho. Vim de uma família simples, então não tinha muitos livros e informação. A moda me dá isso, me faz buscar referências, pesquisar”, disse ele. Em sua loja, um terno completo sai por cerca de R$ 380 (R$ 160 do paletó; R$ 130 da calça de alfaiataria; e R$ 90 da camisa)

Apesar de não ter interesse em transformar a João Pimenta em uma marca grande, o criador vê, no São Paulo Fashion Week, uma oportunidade para filiação com marcas maiores, que convidam estilistas para desenhar suas coleções, e visibilidade internacional. “É um deslumbramento meu. Antes, quando não via tanta abertura no mercado, pensava que talvez, se fosse para outro país, conseguiria desenvolver mais meu trabalho”, disse.
 

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