Mostra em Paris revela momentos-chave da moda dos anos 70 e 80

CAROLINA VASONE

Enviada especial a Paris

Se você estiver em Paris, este fim de semana é a sua última chance de desvendar a moda dos anos 1970 e 1980. Organizada pelo museu de Artes Decorativas (setor do Louvre que se dedica, entre outros assuntos “decorativos”, à moda) e baseada em livro de mesmo nome, a exposição “História da Moda Ideal: 1970 e 1980” fica em cartaz até domingo (10) e revela momentos-chave destas duas décadas.


Quem viveu este período quando adolescente ou adulto pode pensar que não há muita novidade. Um engano. Por meio de textos, vídeos, algumas fotos e muitas roupas divididas por estilistas, a exposição aponta os principais criadores destas épocas e mostra como coleções mudaram os rumos da moda.


Já na entrada o espectador tem a oportunidade de assistir ao desfile de Yves Saint Laurent realizado em 1971, inspirado nos anos 1940. Polêmico na época, foi essencial para a consagração do prêt-à-porter (a moda pronta para vestir) em contraposição à alta-costura. YSL foi importantíssimo para que as roupas feitas em série (tendência iniciada no pós-guerra nos EUA) passassem a ser consideradas moda com valor de criação.


Entre vitrines com peças de designers como a francesa Cacharel (importante marca da moda jovem francesa setentista), o alemão Karl Lagerfeld, que nesta época desenhava para a Chloé, e os japoneses Kenzo e Issey Miyake, o último merece destaque ao modernizar e simplificar a moda nos anos 1970. É interessante reparar também na semelhança do relevante desfile de 1976 do estilista com um recurso muito utilizado nas apresentações atuais da dupla holandesa Viktor&Rolf: o de criar roupas suspensas na parte de trás, como se a modelo estivesse de ponta cabeça, ou não houvesse gravidade. Miyake, com seu vestido feito a partir de um grande quadrado de tecido, deve ter servido de referência para a dupla.


Curiosidades servem como contexto histórico fashion, útil tanto para entender o passado como para ter um olhar diferente do presente. Foi o estilista Courrèges, por exemplo, o primeiro a introduzir música e encurtar os desfiles. Desde o século 19 até os anos 1950, nada havia mudado nas apresentações, que duravam cerca de uma hora e meia. Courrèges, além da trilha sonora, encurtou este tempo para 40 minutos, e depois para cerca de 20 minutos.
 

Já nos anos 1980, Thierry Mugler foi o primeiro estilista a fazer um desfile show. Literalmente. Quatro mil pessoas pagaram ingresso e mais duas mil foram convidadas a assistir as criações do designer em 1984, em Paris. Mugler, pouco antes da década virar, antecipou o estilo que viria com seus modelos de costas largas e ombros estruturados, suas cinturas estranguladas por corsets fetichistas. “A moda de Mugler é uma lição de anatomia contra a natureza”, afirma o texto da exposição.


Na época da revolução dos japoneses na moda ocidental, Yamamoto é destacado, mas é Rei Kawakubo, a criadora da Comme des Garçons, a responsável pela grande transformação. “Rei modificou a imagem erotizada e convencional da mulher”, salienta a curadoria da mostra, se referindo ao seu papel de desconstrução das roupas, da introdução da falta de acabamento proposital das peças e do questionamento não só da sensualidade, mas também do luxo ocidental na moda.


Nos anos 1980 são citados, ainda, designers como Karl Lagerfeld - que, a partir de sua estreia na Chanel ("21 de janeiro de 1983, às 15h") recolocou a marca dentro da moda contemporânea -, Azzedine Alaïa (“suas roupas são a manifestação da celebração erótica e corporal em sua origem"), Christian Lacroix e Jean Paul Gaultier, cujo nome será essencial para a segunda parte da exposição, dedicada aos anos 1990 e 2000, com abertura prevista para o dia 25 de novembro.
 

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