Para imprensa internacional, Fashion Rio está no "top 10" das melhores semanas de moda

FABÍOLA ORTIZ

Colaboração para o UOL, do Rio

  • Alexandre Schneider/UOL

    Modelo desfila look da Maria Bonita Extra, uma das marcas favoritas da imprensa internacional no Rio

    Modelo desfila look da Maria Bonita Extra, uma das marcas favoritas da imprensa internacional no Rio

Entre críticos de moda, colunistas e jornalistas, a imprensa estrangeira que está presente no Fashion Rio destaca o aprimoramento da qualidade e estética do estilo brasileiro de criar e vê potencial competitivo frente a eventos no exterior.

Os 16 jornalistas internacionais (de seis países diferentes) credenciados para cobrir o evento descobriram também que a moda praia vai além das roupas de banho, os famosos biquínis brasileiros. Para alguns, o Fashion Rio concorre com outras semanas de moda no mundo nos padrões internacionais e está no top 10 das melhores semanas de moda, ficando atrás das tradicionais "fashion weeks" de Paris, Milão, Londres e Nova York.

“Hoje em dia há uma explosão de semanas de moda em todo o mundo. Muitas delas estão nos países do BRIC (Brasil, Índia, China e Rússia). Acho que destes, o mais interessante é o Brasil em termos de moda”, disse ao UOL Godfrey Deeny, editor do site Fashion Wire Daily, referência no jornalismo de moda. Para ele, o Rio está à frente de cidades como Berlim, Madri, Moscou e Pequim.

Deeny, que vem há 10 edições à temporada carioca, considera boas as criações de estilistas brasileiros, assim como a qualidade do printing e da confecção. “Eu sempre me impressiono com o que vejo aqui no Brasil”.

  • Getty Images

    O jornalista Godfrey Deeny em foto tirada durante a semana de moda de Nova York (09/09/2010)

O americano Jason Campbell, editor do JC Report, site internacional de tendências, que há 15 anos cobre moda e há oito acompanha as edições de verão e inverno do Fashion Rio, define as coleções que tem visto nesta semana como fofas, atraentes e graciosas, a exemplo da Maria Bonita Extra.

Apesar de suas duas grifes favoritas não desfilarem nesta edição de Fashion Rio - a Printing, de Márcia Queiroz, e Lucas Nascimento -, a semana de moda carioca mostra-se, a seu ver, até mesmo superior à São Paulo Fashion Week.

Para Campbell, a apresentação e a direção criativa compensam a ausência de qualidade de materiais ou recursos. “Os brasileiros fazem um trabalho extremamente bom na apresentação, nos bons desenhos e na direção criativa. Eles entendem o negócio de exibição da moda. Aprenderam bem e pegaram as dicas corretas de como criar a fantasia, o sonho, e como fazer parecer profissional”, disse.

Já Marie Christiane Marek, do programa de televisão Paris Mode, disse não ter tanta expectativa ao vir ao Fashion Rio. Esta é a sua segunda vez no Rio de Janeiro, a primeira foi em 2008, para o Rio Summer. “Eu sabia que teria bons desfiles de moda praia, mas também fiquei surpresa com desfile da Maria Bonita Extra, que foi muito bem na estamparia, nos vestidos, nas cores e tecidos”, disse Marie Christiane.

“Não podemos comparar o Fashion Rio a outras semanas de moda no mundo, as roupas de banho nós não temos. Tem que manter esta especificidade, por isso que gosto muito do Fashion Rio porque é muito especial”, completou.

Esta é a primeira vez que a jornalista francesa Leila Jensen, 28, da Fashion TV Internacional, cobre o Fashion Rio. Ela vê a produção local como boa, mas ainda não comparável à das grandes grifes internacionais "Não podemos comparar à semana de Paris em termos de roupas”, disse. 

A editora de varejo do portal de tendências WGSN nos Estados Unidos, Allyson Rees, critica as altas taxas de exportação das marcas nacionais como obstáculo para uma maior penetração da moda brasileira no exterior. “É uma pena que as tarifas sejam tão altas. Há uma grande demanda para a moda brasileira nos Estados Unidos, especialmente para os compradores de roupas de banho que adorariam ter produtos de estilistas brasileiros, mas não podem porque o preço duplica”.

Allyson, que está pela segunda vez no Fashion Rio, afirma que simpatiza com os estilistass brasileiros e a forma como usam cores e as misturam. “Acho que a moda e os estilistas aqui são muito fortes e é uma pena que eles só fiquem no Brasil. Toda a imprensa internacional escreve e promove o quão fabuloso é, mas as pessoas que lêem não podem comprar”, disse a editora americana, que cobre normalmente semanas de moda em Nova York e em países latinoamericanos como México e Colômbia.

Por sua vez, Marco Corral, do jornal mexicano "El Universal", cobre moda há 20 anos e diz que se surpreendeu com o que viu no Brasil. Esta é a sua segunda vez no Rio. “Em geral estamos mais concentrados no que acontece nos EUA e na Europa, e não vamos em direção à América do Sul em busca de tendências. Eu tinha muito pouco conhecimento em relação à moda e aos designers brasileiros e fiquei muito surpreso com o talento que há”, contou.

Simona Martinez, editora da revista argentina de moda Barzon, que há nove anos acompanha a evolução do Fashion Rio, afirma gostar do trabalho desenvolvido por Andrea Marques e também diz sempre gostar de ver o que faz a Maria Bonita Extra.

“Sempre encontro algo de novo. O estilo que (o Brasil) apresenta nas passarelas é muito próximo, familiar e adaptável à Argentina. Vejo que a moda brasileira evolui de forma positiva”, disse Simona ao destacar a tecnologia têxtil como sendo superior, o casting “insuperável” e a boa proposta estética.

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