Leia entrevista com Richard Rogers, o arquiteto que ajudou a transformar Londres

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    A Cúpula do Milênio, em Londres, projetada por Rogers

    A Cúpula do Milênio, em Londres, projetada por Rogers

LONDRES, 25 Abr 2008 (AFP) - Criador de obras brilhantes como o Centro Pompidou de Paris e o arranha-céu Lloyd na City londrina, Richard Rogers é também um dos artífices da transformação de Londres em uma cidade "compacta", com um "modelo sustentável, social e agradável de viver".

"Londres, no entanto, tem muito que aprender com as cidades da América Latina, como Bogotá e Curitiba, no Brasil", afirmou Rogers, que foi nomeado Lord em 1991 e que em 1996 recebeu uma cadeira permanente na Câmara Alta do Parlamento britânico.

O arquiteto ressaltou que essas duas cidades "avançaram inacreditavelmente em todos os aspectos". "É fascinante estudar o que foi feito", disse, explicando que para criar a "cultura da cidade". Bogotá e Curitiba utilizaram "estratégias parecidas, centradas na reorganização do sistema de transporte público, com ônibus que funcionam como o metrô e ruas com vias para ciclistas".

Além disso, promoveram "a cultura da civilidade por meio da reciclagem de lixo, a criação de espaços públicos e a instauração de certo sentido de ordem e riqueza, que tornaram o centro da cidade mais habitável."

Vestido com a tradicional camisa de gola Mao, desta vez verde, o arquiteto conversou com jornalistas em meio a maquetes de seus edifícios - entre eles o Pompidou, desenhado junto a Renzo Piano - que fazem parte da homenagem a seu trabalho organizada pelo Design Museum, ao lado do Tâmisa. Maquetes dos seus edifícios foram expostas.

Rogers (nascido em Florença, 1933) é o principal assessor de urbanismo do prefeito de Londres, Ken Livingstone, e explica que se associou à política devido ao seu "conceito de sociedade e do que deve ser uma cidade".

O ganhador do prêmio Pritzker em 1997, o Nobel da Arquitetura, acredita que todos, ricos e pobres, devem poder viver em uma cidade sustentável, vital, governável, lúdica e inteligente, que dê propriedade ao civismo e ao meio ambiente.

"As coisas cotidianas são básicas: poder sentar nas escadas da porta de sua casa para observar o entardecer, caminhar tranqüilo por uma rua agradável até um bar, sentar em um banco, admirar uma árvore, desfrutar de encontros", apontou Lord Rogers of Riverside.

Rogers começou a trabalhar no grande desafio de regenerar uma cidade quando o governo de Tony Blair (1997-2007) o chamou para presidir um grupo (Urban Task Force) para "avaliar de que maneira as cidades britânicas em crise poderiam melhorar".

"Era um estudo teórico, mas quando Livingstone foi eleito prefeito em 2000, me disse que aplicaria essas teorias em Londres", contou o autor dos belos terminais aéreos, como o Terminal 4 de Barajas e o Terminal 5 de Heathrow, cuja recente inauguração foi um caos, mas nada relacionado à sua obra.

A uma semana das eleições municipais de Londres, que podem pôr um fim à administração de Ken Livingstone, Rogers ressalta os avanços alcançados na reconversão da capital britânica.

"Foi definida uma visão para tornar a cidade sustentável, impulsionando também um modelo social que dá prioridade a que ricos e pobres vivam juntos, a diferença da tendência dominante nas cidades dos Estados Unidos, onde os pobres são expulsos do centro", explicou.

A primeira tarefa foi reorganizar o transporte público, com a meta de "limitar os automóveis". "De nada serve construir ruas mais amplas, já que isso atrairia maior número de carros. Los Angeles tem as ruas mais largas e os piores engarrafamentos", apontou.

"O feito mais importante em geral em Londres está relacionado à construção de uma cidade compacta, densa - porque acredito que as cidades não devam se estender, mas reciclar seus terrenos - os edifícios, com a prioridade dada ao meio ambiente", resumiu.

Questionado sobre o destino da capital caso o rival de Livingstone, o conservador Boris Johnson, vença as eleições municipais, o sempre jovial Rogers respondeu: "Sou otimista e acredito que estas são tendências irreversíveis, se queremos um futuro para as cidades e o planeta. Não sei se depois da próxima quinta-feira estarei empregado, mas a vantagem é que tenho 75 anos", brincou Rogers.

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