Strippers online contam como é a vida atrás da webcam

RENATA RODE
Colaboração para o UOL

Quem diria que a tecnologia seria grande aliada na hora do sexo? Sim, um mercado crescente de buscadores por sexo virtual cresce no país. E não é só por aqui. Dados apontam até a queda da venda de preservativos no Japão por conta da utilização da rede para o prazer, há alguns anos, quando isso começou a virar mania. Acredita? Segundo o sexólogo Marcos Ribeiro, autor de diversos livros sobre sexo (dentre eles, “Conversando com seu Filho sobre Sexo”, da Editora Planeta), um dos grandes vilões do ser humano nos dias atuais é a solidão. “O sentimento de estar só somado à dificuldade de encontrar pessoas que desejam um envolvimento maior faz com que muita gente se isole e busque sexo sem compromisso, como o virtual. Essa é a satisfação imediata e a realização do desejo do corpo”, explica.

 

Aliado ao avanço tecnológico e de fácil acesso (com notes, internet rápida e webcam), o aparecimento de doenças como a Aids também contribuiu para o crescimento desse cenário. Além disso, a forte timidez por parte de alguns homens pode explicar esse sucesso de acessos. Mas é preciso ficar alerta. “Quando o prazer virtual se torna mais intenso que o pessoal e, ao sair do computador, o homem não consegue ter a mesma performance que nas salas de bate-papo ou com as strippers, é um sinal de problema. Homens e mulheres que ficam ansiosos na busca da transa na web não têm a mesma motivação para sair e encontrar as pessoas reais, e, certamente vão sofrer mais tarde. Porque quem não se envolve, não se desenvolve”, ensina Marcos.

 

Enquanto a prática é saudável e faz parte apenas da fantasia de alguns, sem atrapalhar a vida pessoal, tudo bem. É o que pensa M.G., 44 anos, representante comercial, que vive em Belo Horizonte (MG). “Uso o serviço às vezes porque viajo muito a trabalho e isso não tem nada a ver com o meu casamento ou o amor que sinto pela minha esposa. É como se eu assistisse a um filme pornô interativo, apenas isso”, diz.

 

Ele faz parte da maioria dos assíduos internautas que povoa os sites de striptease. “Os domingos costumam ser de fraco movimento porque a maioria dos clientes está fazendo o papel de pai de família mesmo. Aos sábados a freqüência é maior de solteiros em geral”, explica a stripper Nádia. A jovem paulistana tem 29 anos e é casada há 11. Mãe de dois meninos, um de 9 e outro de 5 anos, Nádia encara a atividade como um emprego mesmo. A loira de corpo curvilíneo bem ao gosto do brasileiro (com seios e bumbum fartos e cinturinha marcada) diz que começou tudo por brincadeira, há pouco mais de um ano e pouco. “Eu vendia calcinhas usadas e, para comprovar que estava com elas, mostrava pela webcam. Daí comecei a perceber que os homens gostavam de olhar. Cheguei a trabalhar em uma agência de strippers, mas percebi que poderia ganhar mais sendo autônoma e montando minha estrutura e clientela”, conta. O mais engraçado é que Nádia nunca entrou em um sex shop, por exemplo. Todas as ferramentas que ela tem e usa nos shows (lingeries, fantasias e vibradores) compra na net, sem sair de casa.

 

Como funciona

A pior coisa é ter de manter anonimato, como se estivesse fazendo algo ilícito. Ninguém é obrigado a comprar, eu apenas ofereço o serviço. As pessoas acham que é dinheiro fácil, mas não é bem assim. Vejo como uma prestação de serviços e nada mais

Nádia, stripper online

Em geral, os shows das meninas duram de 10 a 30 minutos, dependendo do pacote comprado. A variedade de opções e valores também é determinada pelas moças ou pelo site que as agencia. Todos trazem regras claras, como “só me adicione depois que fizer o pagamento, para então marcarmos a hora do show”. Sim, Nádia comenta que ainda existe uma pequena quantidade de mal-educados que acham que podem fazer ou falar o que quiserem. “Há muito preconceito. Se adiciono um rapaz e ele começa a xingar, já o excluo na hora. Também não dou trela para quem quer conversa. O combinado é simples: quer uma exibição? Pague por ela e a terá”, explica. Há performances mais baratas, sem áudio e outras mais caras e demoradas, que permitem que o internauta comande as ações e fale direto com a stripper. Os preços variam de R$ 15 a R$ 90, dependendo da garota ou da agência acessada.

 

Uma das vantagens que leva muitas garotas a ingressar no mundo do strip virtual é que todas podem trabalhar no conforto de suas casas (a maioria delas faz isso direto do próprio quarto, mesmo algumas agenciadas). “Meu marido até se excita com o fato de saber que sou assediada e desejada por muitos homens, com a segurança do contato apenas virtual, ou seja, só ele pode me possuir de verdade. Ele sabe e assimila que essa é apenas uma forma de ganhar dinheiro”, fala Nádia. “A pior coisa é ter de manter anonimato, como se estivesse fazendo algo ilícito. Ninguém é obrigado a comprar, eu apenas ofereço o serviço. As pessoas acham que é dinheiro fácil, mas não é bem assim. Vejo como uma prestação de serviços e nada mais”, conclui.


Rotina

A moça tem uma rotina normal de comandante do lar mesmo. Pela manhã, Nádia cuida dos filhos, dos afazeres da casa e os deixa no colégio. Daí, começa a atender, fazendo uma pausa quando eles retornam para jantar e tomar banho. À noite, quando o marido já está em casa, ela retoma o atendimento. “A freqüência é atípica. Alguns dias vendo poucos, mas com valores altos, em outros vendo bastante shows, mas todos com valores baixos”, fala.

Hoje trabalho sem sair do meu quarto. Meu namorado entende e até dá opiniões quando preciso. Ele, inclusive, já participou comigo em alguns shows a pedidos de clientes

Ludmilla, stripper online


Dos casos mais atípicos que a garota já atendeu, um deles a marcou. “Teve um cara que comprou, disse que tinha lido meu blog e viu que, além de bonita, sou inteligente. Ele gostou disso, mas, quando comecei a tirar a blusa, pediu para eu parar. Disse que não estava preparado, que tinha ficado com vergonha e que eu era muita areia para o caminhão dele. Enfim, o cara não quis tentar mais tarde, nem quis o dinheiro de volta, ele mesmo disse que tinha tido uma brochada virtual”, diverte-se.

 

 

Já para Ludmilla, outra stripper virtual, o bom humor é imprescindível para enfrentar a rotina de apresentações diárias. A loira de 23 anos, mora com o namorado há três e diz que adora estar sempre bem arrumada e cheirosa. Ela começou na carreira por dificuldades financeiras. “Não encontrava uma solução para conciliar tempo e bons ganhos, até que esbarrei em um website que vendia shows de stripper. Hoje trabalho sem sair do meu quarto. Meu namorado entende e até dá opiniões quando preciso. Ele inclusive já participou comigo em alguns shows a pedidos de clientes”, conta. A rotina da jovem é atribulada e ela analisa o que faz como um trabalho qualquer, em que fica online, se arruma para aparecer na webcam e checa os pagamentos.

 

A seriedade também beira esse tipo de negócio. As strippers comentam que muitos clientes oferecem dinheiro ao se empolgar com o show pedindo um encontro pessoal, que não é o objetivo. “Acontece quase todos os dias. Alguns se empolgam, oferecem dinheiro. Eu sempre recuso de uma forma educada. Minha intenção nunca foi fazer programas, não critico quem faça, mas eu não faço”, diz Nádia.

 

 

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