Construção e reforma

Quais são as melhores opções de revestimento para a parede?

Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz

Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz

Uma questão sempre importante durante a construção ou a reforma é a escolha dos revestimentos de parede. Há muitas pessoas que não pensam nisso durante o projeto ou obra, preferindo deixar tudo pintado de branco. No entanto, uma vez pronto, olham em voltam e pensam: "Nossa, mas está tudo tão sem graça... Acho que vou pendurar um monte de quadros!"

Nada contra quadros e obras de arte, muito pelo contrário. O que é importante é a escolha deles dentro de um contexto mais geral da construção. Ou seja, pensar a respeito do assunto primeiro. Se você tem uma coleção de quadros bacanas, ou uma obra de arte linda, e quer que essas peças sejam o foco da sua sala, a solução não é evitar o assunto e depois espalhar tudo pela casa, e sim planejar os revestimentos de modo que exista um foco natural para a parede em que a obra estará pendurada. E caso tenha uma coleção de arte interessante, não seria melhor escolher determinado espaço para deixá-la toda organizada, com uma iluminação adequada, quase como em uma galeria?

Para se pensar nos revestimentos de parede, o ideal é entender o projeto num conceito mais global. No entanto, para ampliar a gama de escolhas daqueles que estão pensando em reformar ou construir, vamos superficialmente verificar algumas das inúmeras possibilidades de revestimento para as paredes de uma residência.

Para tratar desse assunto o ideal é separarmos entre revestimentos para áreas secas e áreas molhadas. É claro que mixes desses produtos são totalmente possíveis e muitas vezes criam resultados incríveis, mas, para simplificar, pensemos nessa divisão básica.

Áreas secas

  • Stock Images

    Para quem está reformando um sobrado ou apartamento antigo e quer gastar pouco, uma opção é simplesmente descascar a parede para deixar os tijolinhos originais da construção à mostra

As tintas existentes para revestimentos de áreas secas são inúmeras. Em geral, áreas internas utilizam a tinta látex PVA, mais barata, agradável ao toque, mas não lavável (existe primeira e segunda linha desse produto – opte se possível, pela primeira linha). As empresas produtoras de látex possuem máquinas em lojas de tinta em que você pode escolher, na hora, uma mistura entre centenas e centenas de possibilidades. Só tome cuidado, pois o produto aplicado sempre parece um pouco diferente do catálogo. Já as tintas acrílicas possuem a mesma gama de cores e são laváveis, e por isso, apropriadas para fachadas externas, tetos de áreas úmidas, etc.

Em conjunto com as tintas surgiu no mercado, especialmente nos últimos 20 anos, uma infinidade de texturas – muitas já com acabamento fino e outras como base para tintas e que podem criar muitos efeitos diferentes. Tente evitar o uso muito intenso desse material, e atenção em sua utilização, pois ele tende a cair muito rápido em desuso, o que pode gerar uma sensação de visual ultrapassado ou barato.

Existem atualmente diversos produtos cimentícios, com uma boa gama de cores e acabamentos. Essa é uma opção muito interessante e que está ficando mais barata ano a ano. Do aspecto do cimento queimado até um tom amarelado ou avermelhado, uma parede ou um volume da sua obra com esse revestimento pode criar uma sensação de contraste interessantíssima com o branco presente no restante.

Para quem está reformando um sobrado ou apartamento antigo e quer gastar pouco, uma opção é simplesmente descascar a parede para deixar os tijolinhos originais da construção à mostra. Ele fica bem rústico, mas com uma camada de tinta por cima pode criar um resultado bonito. Mas antes se certifique que sua obra foi construída com tijolinhos, e não blocos de concreto ou blocos oito furos. Outra possibilidade de baixíssimo custo é definir com o pedreiro que está executando a parede, uma forma de fazer uma massa raspada que o agrade já no acabamento do reboco, e depois é só pintar por cima. Essa possibilidade fica muitas vezes mais interessante do que aplicação de texturas já prontas.

Alem das possibilidades apresentadas acima, que fazem parte do acabamento físico da parede, existe uma quantidade incalculável de materiais que podem ser aplicados e diversas variações entre eles. Madeira, vidro, ladrilhos hidráulicos, granilite, fulget, pastilhas cerâmicas, vítreas, cerâmicas, porcelanatos, dezenas de tipos de pedra, papel de parede, aços, laminados e tantos outros.

O importante, ao decidir aplicar esses materiais em paredes da casa, é focar em duas questões fundamentais:

Pense nos planos: Uma parede é um plano dentro de sua residência. Onde ela acaba e termina? Há janelas? Até onde o revestimento irá e como ele se encontrará com o revestimento seguinte? Ela identificou um volume ou uma área?

Perceba o uso do material no contexto global de seu projeto: Ele está dialogando de alguma forma com os ambientes ou outros materiais? Ele está dando o foco que você gostaria para aquele trecho? A iluminação dessa parede está criando o efeito de luz que você queria com esse material? Não há materiais em demasia em sua obra?

Áreas molhadas

  • Getty Images

    Pedras também podem ser utilizadas em áreas molhadas, como banheiros

As áreas molhadas possuem as mesmas variações das paredes das áreas secas e ainda outras. Em geral, essas áreas tendem a ser mais pensadas em termos de revestimento devido às razões técnicas que um ambiente molhado produz: a parede de tinta comum suja, mancha com a água, engordura com o uso da cozinha e assim por diante. Elas devem ser laváveis, e, portanto possuem acabamento diferente do restante da casa.

As paredes em áreas molhadas também podem ser apenas pintadas. No entanto, as tintas devem ser apropriadas para isso. As mais comuns para serem usadas em banheiros e cozinhas, e que garantem um resultado impermeável e lavável, são as tintas epóxi e poliuretano. Existem diferentes acabamentos para essas tintas, mas fica como dica não usar esses produtos no padrão fosco, pois elas provavelmente terão um aspecto de "interior de caixa d"água".

Um revestimento muito comum para banheiros e cozinhas são as clássicas cerâmicas. Embora um tanto batidas por terem sido utilizadas extensivamente em todas as paredes e piso das áreas molhadas por décadas a fio, quase sem substitutos, são um excelente revestimento, com centenas de alternativas no mercado, variando desde o acabamento até a cor e dimensões. Utilize cerâmica com parcimônia e se essa for sua escolha, evite materiais que imitam outros, como cerâmicas que imitam madeiras ou mármores, por exemplo.

As pastilhas cerâmicas ou de vidro são uma ótima opção para obter um resultado bonito no banheiro. Em geral criam uma textura natural muito bonita e agradável ao toque. Evite utilizar pastilhas em todas as paredes e piso de uma área molhada para não correr o risco de acabar com a área com aspecto de piscina. Intercale com outros materiais, pinturas, barrados, ou até pare em determinada altura e complete o resto com uma pintura. As pastilhas exigem argamassas específicas, portanto consulte o vendedor para não aplicá-las com material inadequado, o que certamente acarretará problemas no futuro. E contrate um aplicador especializado para pastilhas – a aplicação desse material é difícil e deve ser realizada com muito cuidado, diferente de um azulejo comum.

As pedras também são outra opção muito utilizada nas áreas molhadas e aqui a variedade é maior ainda. De mármores a granitos, de arenitos a ardósias, as pedras são revestimentos em geral muito bonitos, especialmente se utilizados com cuidado dentro de um projeto maior. Os preços também variam em um amplo espectro, mas se você fizer uma pesquisa cuidadosa, certamente encontrará algo que está dentro de seu orçamento. Uma boa dica é visitar uma empresa de pedras e verificar com um vendedor a grande gama existente, tanto de produtos nacionais quanto de importados.

Diversos outros revestimentos são possíveis de serem utilizados em áreas molhadas: os cimentícios, os laminados (fórmicas) próprios para paredes, vidros (muito em voga em cozinhas atualmente), aço inox, granilite, ladrilhos hidráulicos entre outros. O segredo para esses espaços molhados, geralmente de dimensões reduzidas, é uma combinação criteriosa entre os materiais e suas quantidades.

Existem infinitas possibilidades de materiais, acabamentos, dimensões e combinações entre eles. Tenha em mente o aspecto geral de seu projeto ou obra, visite muitas lojas para ver as possibilidades do mercado que se encaixem no seu orçamento e mãos à obra!

Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz

Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz são arquitetos formados pela FAU-USP e sócios do escritório Forte Gimenes Marcondes Ferraz (www.fgmf.com.br)

UOL Cursos Online

Todos os cursos