Quais as opções para demarcar os limites do terreno que não sejam muros de alvenaria?

Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz

Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz

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    Econômica, a cerca viva garante isolamento visual com um ótimo efeito estético: antes de gastar um monte de cimento, pense se você não pode resolver seu problema com plantas

    Econômica, a cerca viva garante isolamento visual com um ótimo efeito estético: antes de gastar um monte de cimento, pense se você não pode resolver seu problema com plantas

  • http://img.uol.com.br/ico_ler.gif JARDINAGEM
  • http://img.uol.com.br/ico_ler.gif CERCAS VIVAS
  • http://img.uol.com.br/ico_grupodiscussao.gif MANDE SUA DÚVIDA

No artigo da semana passada descrevemos os cuidados que se deve ter ao se projetar e construir um muro de divisa. Mas a primeira consideração que o proprietário deve ter é “realmente preciso de um muro aqui?”. Essa resposta é muito importante, pois existem muitas outras formas de se isolar de seu vizinho ou da rua, que não com muros.

A decisão pelo tipo de fechamento a ser executado em seu terreno deriva de algumas questões: segurança, isolamento acústico, privacidade e proteção de animais (fuga ou invasão). Iremos descrever abaixo algumas soluções possíveis para esses fechamentos e suas principais características para ajudá-lo a definir a melhor forma de isolamento para o seu terreno em alternativa ao muro.

É importante salientar também que esses fechamentos de terreno estão sempre subordinados a legislações específicas. No caso das cidades, a altura e dimensões dos muros ou outros fechamentos estão presentes no código de obras. Já no caso de condomínios fechados, a norma que rege as dimensões e até tipo do isolamento permitido sempre constam no regulamento interno do condomínio, e devem ser seguidas a risca.

Cercas vivas

Existem muitas formas de se realizar uma sebe, ou cerca viva. A forma mais usual é a utilização de plantas que tenham volume de copa desde a base do tronco, como é o caso do pinheirinho (Cupressus lusitanica) e do sansão do campo (Mimosa caesalpineafolia), espécies muito utilizadas para este fim.

As sebes podem ter alturas variadas, conforme a espécie adotada e necessidade ou possibilidade do local. Mas como a cerca é algo vivo, lembre-se que a manutenção deve ser constante (e isso gera um custo mensal) e há os cuidados usuais para o plantio, como adubo e rega, a serem considerados.

Acreditamos muito no uso de cercas vivas, e muitos condomínios e loteamentos a adotaram como norma no Brasil. É uma solução muito econômica e que pode garantir um excelente isolamento visual, com um ótimo efeito estético. Além disso, é uma prática muito sustentável, desde que não se introduza espécies estranhas em um ecossistema equilibrado. Pense duas vezes em gastar um monte de cimento se você pode resolver seu problema com plantas!

  • Leonardo Finotti / UOL

    A transparência das grades pode favorecer a segurança por revelar tudo o que acontece do outro lado. Na foto, o edifício Aimberê, de Andrade Morettin, em São Paulo

Grades e cercas

Todos conhecemos o uso de grades como fechamento, visto que, com exceção dos muros, esta deve ser a forma mais comum de se isolar um terreno ou construção. Suas possibilidades são infinitas, e muitos são os materiais que podem compor uma grade ou cerca. Tubos metálicos, vergalhões corrugados ou lisos, perfis, peças de madeira e outros materiais podem variar em dimensões, orientações, desenhos e até composições de materiais diferentes para alcançarem o resultado desejado.

Ao projetar grades ou cercas leve em consideração a necessidade mais importante para o seu caso: caso seja segurança, prefira cercas mais altas, preferencialmente metálicas, sem pontos de apoio para que alguém possa subir. Esse tipo de solução pode ser mais eficiente até do que os muros, pois a sua permeabilidade visual ajuda a inibir um assaltante de agir dentro de seus limites e ser visto por transeuntes, ao contrário do que acontece no caso de um muro.

Caso precise apenas delimitar um espaço, por exemplo, cercas de madeira ou concreto, aliadas ou não a arames ou telas, podem ser uma ótima opção, com uma infinidade de variações.

É importante checar a necessidade do uso, a legislação aplicável e a forma em que a solução de fechamento se harmonize com a arquitetura da sua construção e do entorno.

Gradis, alambrados e chapas perfuradas

Existem opções que se aproximam das grades e cercas, mas possuem algumas características diferentes. Alambrados, por exemplo, como os utilizados em fechamentos de quadras são boas opções para fechamento, dependendo da sua construção. Os alambrados são geralmente executados por mão de obra especializada, não são especialmente caros e são erguidos muito rapidamente. São ótimos para controle de animais, e permitem muita visibilidade. Algumas vezes podem ser associados a muros, para realizar uma divisão mais alta entre prédios, por exemplo, garantindo a boa iluminação e ventilação das áreas comuns, mas mantendo o isolamento físico.

Os gradis prontos, como é o exemplo do tipo “Orsometal” muito utilizado no mercado, são muito eficientes e interessantes. Podem compor o guarda-corpos de sua obra e virarem elementos de isolamento, por exemplo. São comprados prontos e parafusados entre si, e ficam especialmente bonitos se associados a trepadeiras e outros tipos de vegetação. Não podem, no entanto, alcançarem grandes alturas como os alambrados, sem que se gaste bastante com uma estrutura robusta de suporte.

As chapas perfuradas são muito utilizadas em portões nas cidades brasileiras. Possuem uma infinidade de variações de tipo, quantidade e desenho de perfurações, e variam desde aspectos bastante transparentes até quase fechados. São soluções um pouco mais caras que as anteriores, mas podem alcançar excelente aspecto estético.

Elementos vazados

Os elementos vazados, muito utilizados como brise-soleil, são uma excelente opção para divisão espacial. Embora no Brasil sejam geralmente feitos de concreto, os elementos existem em outros materiais, como cerâmica vermelha ou porcelana esmaltada.

Os elementos vazados são geralmente autoportantes, o que quer dizer que ficam em pé sozinhos, sem depender de uma estrutura auxiliar, e seu processo construtivo é similar ao de um muro, com uma fundação coerente e assentamento de fiada por fiada com vergalhões de travamento entre elas.

As grandes vantagens dos elementos vazados são as de permitir a visibilidade, insolação e ventilação, mas garantido a possibilidade isolamento visual e proteção de animais e pessoas. Outra característica interessante é a de ser possível a realização de uma bela composição entre elementos similares e até diferentes, tornando o seu fechamento em um painel artístico.

Existem muitas formas de se isolar um terreno. O importante é entender as vantagens de cada uma, a legislação em vigor e levar em conta as questões de privacidade, segurança, isolamento e insolação, ventilação e estética. Também é importantíssimo existir grande harmonia entre seu fechamento e sua obra: imagine uma bela casa atrás de uma cerca enorme que não “conversa” com a arquitetura. Seria um grande desperdício para a cidade e para o proprietário do imóvel.

Levando as questões citadas em conta, de asas à sua imaginação!

Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz

Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz são arquitetos formados pela FAU-USP e sócios do escritório Forte Gimenes Marcondes Ferraz (www.fgmf.com.br)

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